Em 2015, o Brasil já contava com 14,2% da população aposentada, seis pontos percentuais a mais do que em 1992. Na região Norte, o número de idosos no início da década de 90 correspondia a 5,1% da população total, passando para 10,1% em 2015. As informações são do estudo divulgado nesta semana pelo Ipea, que analisou o envelhecimento da população e os fatores que podem influenciar no déficit da Previdência.
Segundo a pesquisa, a tendência é que o número de aposentados aumente ainda mais, já que a população idosa está crescendo. O IBGE divulgou recentemente que o número de pessoas com 60 anos ou mais cresceu 16% entre 2012 e 2016. Além disso, a expectativa de vida do brasileiro também subiu. Passou de 75,2 em 2015 para 75,8 anos no ano passado. Tocantins foi de 74,1 anos para 74,3 no mesmo período.
O coordenador de Previdência Social do Ipea e autor do estudo, Rogério Nagamine, diz que o envelhecimento da população é algo a ser celebrado, mas que também é preciso ter cautela.
“O envelhecimento já está tendo impacto e isso implica a necessidade de ajustes. O aspecto positivo é que esse ajuste pode ser feito, eliminando o que a gente chama de componentes regressivos no sistema previdenciário, que são componentes que pioram a distribuição de renda.”
De acordo com o coordenador, a aposentadoria precoce é um desses componentes. No ano passado, a idade média de aposentadoria no Brasil foi de 54 anos. Rogério Nagamine acredita que o trabalhador nessa faixa etária ainda está em condições de trabalhar.
“O problema maior é uma distorção que eu acho conceitual, que é, na verdade, você estar pagando um benefício de aposentadoria para pessoas que estão em plena capacidade laboral e que, muitas vezes, continuam trabalhando.”
No comparativo entre 2006 e 2015, Tocantins não apresentou déficit no sistema previdenciário, junto com mais três estados do Norte. Mas o número de idoso no estado vem crescendo. Em 2012, eram 130 mil pessoas com 60 anos ou mais. Em 2016, pulou para 171 mil.
Reportagem, Jalila Arabi.