Por Sara Rodrigues
No segundo ano do Ensino Médio, a estudante Kaysha Lorrana, de 16 anos, decidiu investir tempo em sua educação para ter mais oportunidades profissionais. Ela se inscreveu no curso de assistente administrativo no SENAI em Tocantins. Já durante as aulas, Kaysha soube de um processo seletivo para trabalhar, nessa mesma área no SESI, e foi aí que resolveu apostar no que estava aprendendo. A alegria chegou quando aos 18 anos, ela recebeu a notícia de que tinha sido selecionada. Ela já concluiu o curso e hoje, com 19 anos, tem um emprego.
“Eu passei um ano e oito meses no curso, foram 1.040 horas, bastante matérias. A gente aprendeu muita coisa em aulas práticas e teóricas, e isso é bom porque abrange o conhecimento”, conta Kaysha. Ela recomenda que outros jovens da mesma idade invistam um tempo para se profissionalizar, e assim ter mais oportunidades para se inserir no mercado de trabalho.
Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o ensino básico brasileiro tem deixado a desejar. Prova disso, aqui em Tocantins, é o último resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2015. A meta da nota média dos estudantes do 3º ano do ensino médio era 4, mas ela não foi atingida. A nota média dos estudantes foi 3.4.
Assim, com a baixa qualificação dos estudantes desde o Ensino Fundamental ao Ensino Médio, tanto o estado quanto o país têm mais dificuldades em se desenvolver em econômica e socialmente. Por isso, as propostas da CNI são de melhorar o ensino para assegurar aos estudantes um futuro no mercado de trabalho.
“O candidato a ingressar no mercado de trabalho precisa desenvolver aquelas competências que a gente considera como mínimas, que é ser alfabetizado digitalmente, ter facilidade no manuseio de produtos de computação. Porque o que a gente observa hoje é que até nos pequenos negócios, as máquinas são extremamente digitalizadas”, explica Edmundo Stiebler, gerente do SENAI Palmas.
No Tocantins, os principais setores da indústria são construção civil, que gera 40,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, e serviços industriais, responsável por 31,7%. Profissões na área de automação e eletricidade podem ser consideradas essenciais para as empresas que estão se adaptando à nova era da indústria.
Indústria 4.0
O nome faz referência à 4ª Revolução Industrial. Desde 2010, a Indústria 4.0 tem sido observada como avanço nas tecnologias contemporâneas. Entre as ferramentas mais recentes, por exemplo, a rastreabilidade – que é a possibilidade de decifrar qual é o ciclo de vida de determinado produto, desde a criação até o descarte.
Além disso, foram criadas outras ferramentas, como a visão artificial e a cloud computing, que é uma nuvem online utilizada como armazenamento de dados e arquivos. Todas essas ferramentas têm como objetivo aumentar o ganho de produção, apresentar transparência nos negócios, aumentar a segurança e reduzir os erros. Além de promover a conservação ambiental e o aumento da qualidade de vida.
Em Tocantins, o processo de adaptação à Indústria 4.0 está encaminhado. Enquanto as empresas adotam as ferramentas e se adequam às novidades, trabalhadores são qualificados para esse ambiente. O SENAI, por exemplo, disponibiliza cursos não só para ensinar os pilares da Indústria 4.0, mas também para qualificar os profissionais nas novas categorias de profissões.