Chikungunya significa “aqueles que se dobram”, em um dos idiomas da Tanzânia. Refere-se à aparência curvada dos pacientes que foram atendidos no país, no leste da África, na primeira epidemia documentada, entre 1952 e 1953. Seus sintomas são semelhantes aos da Dengue: febre, mal-estar, dores pelo corpo, dor de cabeça, apatia e cansaço. Porém, a grande diferença da Chikungunya está na sua ação nas articulações. O vírus avança nas juntas dos pacientes e causa inflamações, com fortes dores, acompanhadas de inchaço, vermelhidão e calor local. Quem vai falar um pouco mais sobre o assunto é a infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Doutora Melissa Falcão. Doutora Melissa, qual são os principais sintomas da Chikungunya?
Melissa Falcão, infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.
“A Chikungunya tem como principal sintoma a dor articular. E é uma dor articular intensa e incapacitante, porque muitas vezes o paciente não consegue andar durante os primeiros dias da doença. Quando consegue andar, anda curvado pela dor característica na articulação. Além disso, também tem dor no músculo e febre, normalmente alta, por um período curto de tempo, um, dois, três dias. Também pode ter vermelhidão no corpo, com coceira, pode ter vermelhidão nos olhos e dor de cabeça. Esses são os principais sintomas da Chikungunya.”
Como podemos diferenciar a Chikungunya da Dengue e da Zika?
Melissa Falcão, infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.
“A principal característica da Chikungunya é a dor articular intensa e incapacitante. Na Zika, tem vermelhidão no corpo, com coceira, uma coceira muito intensa. E a Dengue, tem-se a prostração, o cansaço no corpo, uma dor no músculo de uma maneira mais generalizada.”
Doutora, se a pessoa estiver sentindo fortes dores nas articulações, como ela faz o diagnóstico para saber se está com Chikungunya?
Melissa Falcão, infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.
“O diagnóstico de Chikungunya pode ser feito pela clínica, pelo perfil clínico-epidemiológico, nas cidades que têm casos de Chikungunya comprovados, e a parte laboratorial pode ser feita por meio da identificação direta do vírus ou pela sorologia, que tem a IgM de fase aguda, que mostra a infecção nascida, e a IgG, que mostra já a fase crônica, na fase subaguda, depois de 3 meses.”
Após a picada do mosquito, em quantos dias os sintomas começam a se manifestar na pessoa?
Melissa Falcão, infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.
“Uma média de 2 a 12 dias, após a picada do Aedes aegypti, a pessoa vai desenvolver um quadro de Chikungunya.”
Doutora Melissa, para finalizar, existe algum grupo de risco que fica mais vulnerável aos sintomas da Chikungunya?
Melissa Falcão, infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.
“Existe. Alguns grupos de maior risco são os idosos, as crianças com menos de dois anos, as gestantes e as pessoas que têm muitas doenças associadas, que têm problema de coração, que têm problema de diabetes. Quem tem alguma outra doença reumatológica prévia, também alguma artrite reumatoide, algum problema já reumático, pode ter essas dores intensificadas.”
Do início deste ano até o dia 11 de novembro foram registrados 184.458 casos de Chikungunya no Brasil. O número é 32% menor do que os casos registrados no mesmo período de 2016. Mesmo com a redução, todo mundo deve continuar fazendo sua parte. Devemos nos lembrar de sempre limpar todos os locais de casa que podem ser focos do mosquito. As dores causadas pela Chikungunya são horríveis. Faça sua parte. Participe também e lembre-se de que um mosquito pode prejudicar uma vida. E o combate começa por você. Para mais informações sobre o assunto, acesse saude.gov.br/combateaedes.
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