LOC: Em 2016, a Tuberculose afetou quase 67 mil brasileiros e ainda é uma doença que gera muitas dúvidas na população. Estamos aqui com a Coordenadora do Programa de Controle a Tuberculose do Ministério da Saúde, Denise Arakaki, para esclarecer alguns questionamentos frequentes a respeito dessa doença que atinge tantas pessoas no Brasil e no mundo. Olá Dra. Arakaki, podemos começar esse bate-papo falando de algumas questões que são frequentes, começando pela mais simples: O que é a Tuberculose?
TEC/SONORA: Denise Arakaki, Coordenadora do Programa de Controle a Tuberculose do Ministério da Saúde.
“Tuberculose é uma doença causada por uma bactéria chamada Mycrobacterium Tuberculosis. Foi descoberta a mais de 100 anos e afeta principalmente os pulmões. E como é que essa doença é transmitida?Uma vez que a pessoa tenha a bactéria nos pulmões, a Tuberculose se transmite pela fala e pela tosse”.
LOC: Dra. Arakaki, para as pessoas ficarem atentas aos sintomas da doença, quais seriam os principais e como a Tuberculose pode agir no organismo?
TEC/SONORA: Denise Arakaki.
“Uma vez que a pessoa contraiu o bacilo, não necessariamente ela vai adoecer, ela pode ficar com esse bacilo durante muitos anos silenciosamente. A partir do momento que o bacilo se desenvolve ela fica doente por Tuberculose, que é o que chamamos de Tuberculose ativa. No princípio da doença, nas primeiras fases, a pessoa pode ter só tosse”.
LOC: Dra. Denise, como a população pode obter esse diagnóstico? Quais procedimentos os profissionais de saúde devem seguir ao encontrar um paciente com essa situação?
TEC/SONORA: Denise Arakaki.
“Toda vez que o indivíduo tem tosse por mais de duas ou três semanas e procurar uma unidade de saúde, a enfermeira ou o médico devem suspeitar de Tuberculose e vão orientar essa pessoa a coletar um teste de escarro ou catarro. Esse escarro será examinado e no catarro a gente pode visualizar o bacilo da Tuberculose ou pode testar o escarro com testes específicos para ver se o bacilo está nessa situação”.
LOC: Como é feito o tratamento? O paciente continua a transmitir a doença ou não?
TEC/SONORA: Denise Arakaki.
“Uma vez feito o diagnóstico, o tratamento tem que ser instituído o mais precocemente possível, porque quando a gente trata aquele individuo deixa de contaminar outras pessoas nas primeiras duas semanas. Então, para proteger seus familiares e sua rede de contatos é recomendável que se inicie o tratamento o mais rápido possível. Além disso, o tratamento faz com que as condições clínicas do individuo se revertam rapidamente”.
LOC: Dra. Arakaki, o tratamento da Tuberculose pode ser feito pelo Sistema Único de Saúde, o SUS? Há algum custo, ou é completamente gratuito?
TEC/SONORA: Denise Arakaki.
“O tratamento está totalmente disponível pelo SUS, é gratuito, portanto, e dura no mínimo seis meses”.
LOC: Em relação à maneira como a Tuberculose se prolifera nos ambientes. Quais precauções precisam ser tomadas pela população para se proteger contra essa doença?
TEC/SONORA: Denise Arakaki.
“Ambientes aglomerados, com pouca ventilação, com pouca radiação solar, ambientes onde há um número excessivo de pessoas compartilhando o mesmo espaço. Esses ambientes podem propiciar a proliferação do bacilo e a contaminação dessas pessoas. Além disso, algumas pessoas podem ter condições físicas que propicie o desenvolvimento da tuberculose, essas condições são condições que diminuem a capacidade imunológica, por exemplo: pessoas com HIV, pessoas com diabetes e pessoa que utilizam drogas imunossupressoras, por exemplo, pessoas com doenças autoimunes”.
LOC: Já que a Tuberculose é uma doença de contagio, transmitida por contato, quais são os procedimentos em relação ao relacionamento social, beijo no rosto e convívio? As pessoas precisam ter receio em fazer isso em relação à Tuberculose?
TEC/SONORA: Denise Arakaki.
“Não, não precisam. A Tuberculose aumenta sua possibilidade de transmissão quanto maior o convívio, então quando estamos à frente de uma pessoa com Tuberculose pulmonar a gente investiga, avalia os seus comunicantes e esses comunicantes são aqueles que têm contato prolongado, ou seja, pessoas que estão compartilhando o mesmo ambiente, domicílio, dormem no mesmo quarto, vivem na mesma casa, trabalham na mesma sala de escritório, pequena e mal ventilada, essas pessoas precisam ser investigadas para ver se adquiram o bacilo. Ainda que tenham só adquirido somente o bacilo, isso não quer dizer que a pessoa vá adoecer, mas quando a gente faz a identificação é possível tratar aquela pessoa para que ela não desenvolva a Tuberculose, ou seja, vamos fazer uma prevenção para que aqueles comunicantes não desenvolvam a Tuberculose”.
LOC: É isso, Dra. Arakaki. Muito obrigada pela sua participação e esclarecimento sobre a Tuberculose. Em caso de dúvidas ou sugestões acesse saude.gov.br.