O número de aposentados na região Sul com menos de 60 anos de idade em 2015 superou em quase dois pontos percentuais o de 1992, passando de 3,1% para 4,9%. A informação é de um estudo divulgado recentemente pelo Ipea, que mostra que a aposentadoria precoce está causando impacto no setor previdenciário.
O número de beneficiários com 60 anos ou mais também cresceu na região, passando de 5,5% em 1992 para 12,8% em 2015. De acordo com o estudo, um fator que pode ter influenciado esse aumento é a expectativa de vida do brasileiro, que vem subindo a cada ano. A média nacional foi de 75,8 anos em 2016, segundo o IBGE. Para o especialista em finanças Marcos Melo, o dado é importante para entender a situação atual.
“Isso é um ponto muito positivo, porque isso foi uma conquista social, conquista do povo brasileiro em conseguir ter uma expectativa de vida maior. Para se ter ideia, em 1940 a expectativa de vida era de 45,5 anos, aproximadamente. Um dos fatores que causam esse desequilíbrio da previdência é um dado muito positivo, que é o aumento da expectativa de vida do brasileiro.”
Santa Catarina foi o estado campeão no ano passado, superando a média nacional, com expectativa de 79,1 anos. Porém, o coordenador de Previdência Social e um dos autores do estudo, Rogério Nagamine, acredita que é preciso ter cautela com o envelhecimento acelerado da população.
“O envelhecimento já está tendo impacto e isso implica a necessidade de ajustes. O aspecto positivo é que esse ajuste pode ser feito, eliminando o que a gente chama de componentes regressivos no sistema previdenciário, que são componentes que pioram a distribuição de renda.”
De acordo com a pesquisa, a idade média de aposentadoria no ano passado foi de 54 anos, mas o Brasil não tem idade definida para o benefício. Se aprovada, a reforma da Previdência deve estipular 65 para os homens e 62 para as mulheres até 2038.
Reportagem, Jalila Arabi.