O estado de São Paulo é o que apresenta as melhores rodovias do Brasil. Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontou que quase 78% da malha rodoviária paulista estão em boas ou ótimas condições. Os valores destoam do resto do Brasil. No Amazonas, por exemplo, 38% das rodovias foram classificadas como péssimas.
O estudo da CNT indicou ainda que menos de 5% das estradas foram avaliadas como ruim ou péssima. O maior trecho nessas condições é o da SP-270, próximo ao município de Itapetininga. Além disso, cerca de 17,8% estão em estado regular. Dos 10 mil quilômetros avaliados pela CNT, mais de seis mil são concedidos, enquanto cerca de três mil e quinhentos estão sob responsabilidade exclusiva do governo estadual.
Segundo o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), da Universidade de São Paulo, João Vicente Caixeta Filho, 80% do transporte de carga agrícola é feito por rodovias. Para ele, a solução, muitas vezes, esbarra em questões políticas.
“O tempo de maturação para a obra ferroviária é mais longo, ultrapassa os mandatos políticos. Então, deve fazer parte de uma agenda mínima de estado, e o estado extrapola governo e partido politico. Nós precisamos de projeto de estado onde, de fato, possa ter uma capilaridade adequada para movimentar as cargas de uma maneira geral, e particularmente as cargas agrícolas".
O setor de infraestrutura está incluído no projeto de governo dos presidenciáveis. O ex-ministro Henrique Meirelles, do MDB, pretende integrar o sistema de transportes no país e investir, principalmente, no sistema hidroviário.
“Temos que explorar também a grande vantagem do Brasil que é a hidrovia, que é o sistema mais barato que existe de transporte. Algumas obras pontuais, por exemplo, eliminando algumas rochas no Tocantins, Araguaia, pode viabilizar o grande escoamento de toda essa região”.
O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, disse que é preciso aumentar o investimento estatal na área, que hoje corresponde a apenas 2% do PIB. Já Marina Silva, da Rede, defende um projeto econômico que esteja atento às mudanças nas formas de produção mundial.
Reportagem, Thiago Marcolini