Os acidentes de trabalho em armazéns e silos de grãos são os mais fatais no país. Perdem apenas para os que envolvem atividades no trânsito. Mas, uma solução inovadora desenvolvida no Mato Grosso do Sul pode ser uma saída para o país reduzir os números de acidentes e mortes nesse segmento.
Foram 24 mortes de trabalhadores em armazéns de alimentos a granel em 2017, um crescimento de 140% em relação a 2016. E só nos primeiros seis meses deste ano foram 13 ocorrências. Os dados são da BBC Brasil e foram coletados a partir de matérias de jornais, que foram noticiadas por veículos de imprensa, pois não existem dados exatos e oficiais nesse segmento.
A aposta do Centro de Inovação do SESI em Mato Grosso do Sul para amenizar o problema é um projeto de monitoramento do trabalhador em tempo real. O gestor receberá por um aplicativo todas as informações sobre alterações de pressão, oxigênio, gases, captadas por câmeras e sensores instalados nos equipamentos de segurança, como prevê o projeto chamado Smart Kipper.
O gerente de Tecnologia e Inovação do Centro de Inovação do SESI Sistema de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho de Mato Grosso do Sul, Ricardo Egídio Junior, explica o por quê de se criar um projeto nesse sentido.
“O problema é, de fato, os acidentes fatais que acontecem em atividades com risco de espaço confinados. Como por exemplo as atividades em silos de grão, atividades de manutenção de máquinas, aqui no estado tem muitas empresas que trabalham com processos de grãos, eles criam silos imensos e é necessário fazer manutenção. E quando trabalhador entra lá, se não tiver toda estrutura, uma estrutura de segurança do trabalho, corre risco muito grande, porque pisa em grãos e é como se fosse uma areia movediça.”
O projeto está agora em fase de busca de empresas para colocar em prática a solução em forma piloto. O gerente de Tecnologia e Inovação do Centro de Inovação do SESI Sistema de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho de Mato Grosso do Sul, Ricardo Egídio Junior, conta ainda que o trabalho da equipe durou três dias e que isso só foi possível com a ajuda da técnica de inovação Design Sprint, desenvolvida pelo departamento nacional do SESI.
“Então, em três dias, a gente consegue detalhar, entender o problema, fazer processo de ideação de novas soluções, fazer protótipo e já sair com solução no final dos três dias. Esse método propicia a gente reduzir drasticamente o tempo de análise pré-projeto para três dias e já sair com algumas soluções palpáveis.”
Até a implantação do Design Sprint, a fase de pré-projeto no Centro de Inovação chegava a durar meses. A expectativa é dar agilidade ao processo e apresentar mais soluções inovadoras para a indústria brasileira.
Reportagem, Camila Costa