Por Sara Rodrigues

Até o ano passado, o ensino médio não fazia parte das modalidades ensinadas na escola do Serviço Social da Indústria (SESI) de Roraima. Mas a partir de 2019, os alunos poderão frequentar as aulas com novidade em dose dupla: além de ser o primeiro ano com ensino médio nas unidades do estado, os jovens orientados com base nas novas regras do Ministério da Educação (MEC).
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Após a aprovação da reforma, em 2017, ficou determinado que todas as escolas brasileiras devem se adaptar ao novo currículo até 2020. O objetivo é revolucionar o modelo educacional, implantando um formato onde os alunos têm acesso também às informações sobre o mundo do trabalho.
De acordo com a diretora do SESI em Roraima, Gardênia Cavalcante, a escola será a primeira a implantar a proposta pedagógica no estado. Segundo ela, os pais estão ansiosos para ver isso funcionando na prática. “Para ver essa integração entre as disciplinas e o conhecimento, e projetando essa questão da flexibilização que tem no currículo”, disse.
As aulas já começam em fevereiro e a diretora informou que a procura é grande por conta da novidade do ensino médio na escola. Gardênia explica que esse conhecimento integrado e inovador será importante para que os alunos se preparem para o mundo do trabalho. E além de tudo, espera que os professores aproveitem a experiência para construir o melhor Ensino Médio do estado.
“O aluno, quando vai para o ensino médio, já está visando a área de conhecimento que ele tem mais afinidade para se ingressar nas universidades. Esse é o foco do SESI: trazer isso de uma forma mais leve e com consistência. Pautada dentro de uma grade curricular, onde são reconhecidas as habilidades e competências de cada aluno”, completou ela.
Proposta pedagógica
Na indústria, a proposta prevê que, no primeiro ano do Ensino Médio, o aluno seja preparado para o mundo do trabalho, que inclui uma formação genérica para as profissões da indústria, orientação profissional e desenvolvimento de competências socioemocionais.
Já no segundo ano, além das áreas de conhecimento, os alunos vão ter acesso aos fundamentos e práticas de formação. Por fim, no terceiro ano, a carga horária vai ser de formação técnica e profissional dedicada às aprendizagens específicas de cada curso.
O diretor-geral do SENAI e integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), Rafael Lucchesi, entende que essa é uma maneira de modernizar o ensino dos estudantes, além de melhorar a qualidade dos trabalhadores da indústria. “É claro que temos um grave problema na indústria brasileira que a baixa qualidade, a baixa escolarização da média populacional brasileira, o que faz com que a produtividade do trabalho no Brasil seja muito baixa”, afirma.
Lei 13.415/2017
Aprovada em 2017, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabeleceu uma mudança no formato do Ensino Médio, e ampliou o tempo mínimo do estudante na escola de 800 para mil horas.
Dessa forma, ela define uma nova organização curricular, que é mais flexível e que deve seguir uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) - conjunto de orientações que deve nortear a elaboração dos currículos das escolas públicas, privadas e das redes de ensino em todo o país.
De acordo com o texto, a mudança tem como objetivo garantir a oferta de educação de qualidade a todos os jovens brasileiros e aproximar as escolas à realidade dos estudantes. Todas as escolas devem se adaptar ao novo currículo até 2020.