Economia - undefined·12 de junho de 2018

Sertãozinho ainda sofre com falta de investimentos do setor sucroalcooleiro

<p>Munic&iacute;pio convive com desemprego e queda de arrecada&ccedil;&atilde;o com fechamento de ind&uacute;strias de base</p>

Por Agência do Rádio
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Sertãozinho ainda sofre com a crise econômica gerada nos últimos anos pelo setor sucroalcooleiro. O município é sede de polo industrial que abriga cerca de 500 empresas especializadas em automação de indústrias, responsáveis por produção de equipamentos pesados para usinas de etanol, açúcar, papel e celulose, de acordo com o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis, o CEISE.

Nos últimos três anos, de acordo com a Secretária de Desenvolvimento Econômico de Sertãozinho, as usinas sucroalcooleiras diminuíram os pedidos de materiais e as vendas nas empresas do município encolheram de forma drástica, levando ao fechamento de quase uma dezena de indústrias de médio e grande porte.

As empresas que não fecharam foram obrigadas a se adequarem à crise econômica e, com isso, a capacidade de produção das indústrias ficou ociosa. Mais de três mil e 400 trabalhadores foram demitidos, de 2015 até este ano, no município. Os dados foram levantados pelo CEISE com números divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O montador, Valdemir Batista, trabalhou 32 anos na unidade de Sertãozinho da empresa Dedini Indústrias de Base. A unidade fechou devido à crise do setor sucroalcooleiro e o montador foi demitido. Ele conta que as demissões atingiram, inclusive, os funcionários mais antigos da empresa, tornando a vida de quem perdeu o trabalho difícil na cidade.

“A gente estava acostumado a viver com o salário e tivemos de baixar o padrão, diminuir os custos, diminuir as dívidas, e está difícil de sobreviver. A Dedini, onde a gente trabalhou, a maior parte dos funcionários que foi demitida era todos funcionários antigos de 20 anos, de 15 anos de serviço”.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho, Samuel Marqueti, revela que muitos trabalhadores que perderam o emprego ainda não tiveram acesso ao dinheiro da rescisão do contrato trabalhista e, além disso, a volta ao mercado de trabalho está sendo uma missão difícil para os profissionais do município.

“A gente ainda vê aqui, com os trabalhadores, a dificuldade da volta desses trabalhadores ao mercado de trabalho. Muitos trabalhadores também saíram sem suas verbas rescisórias. O sindicato tem um número grande de ações na Justiça para que os trabalhadores recebam. Recebam o mínimo daquela rescisão. Muitos saíram com a mão na frente, outra atrás, essa é uma realidade grande”.

A crise enfrentada pela indústria de base também reflete nas contas da prefeitura. O município espera ter receita de pouco mais de 500 milhões de reais, em 2018. A maior fonte de renda é a arrecadação do ICMS.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Sertãozinho, Paulo Roberto Gallo, conta que a arrecadação do ICMS deve cair em cerca de 30 milhões de reais, este ano.

“Tivemos uma diminuição bem significativa, por exemplo, na nossa cota de participação no ICMS. Isso significa, só de ICMS, a gente prevê uma redução de R$ 30 milhões de reais no orçamento do município só do ICMS. Estamos perdendo em torno de 15%, 20%”.

Os cargos de alimentador de linha de produção, com 391 desligamentos; de soldador, com 366 desligamentos, e caldeireiro, com 165 desligamentos, foram as profissões que mais perderam vagas, nos quatro primeiros meses deste ano, em Sertãozinho..

Com a colaboração de Juliana Gonçalves, reportagem, Cristiano Carlos

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