Economia - undefined·12 de junho de 2018

Sertãozinho ainda sofre com falta de investimentos do setor sucroalcooleiro

<p><em><font size="4" face="Times New Roman">Munic&iacute;pio convive com desemprego e queda de arrecada&ccedil;&atilde;o com fechamento de ind&uacute;strias de base</font></em><font size="4" face="Times New Roman"> </font></p>

Por Agência do Rádio
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Por Cristiano Carlos e Juliana Gonçalves

Sertãozinho ainda sofre com a crise econômica gerada nos últimos anos pelo setor sucroalcooleiro. O município é sede de polo industrial que abriga cerca de 500 empresas especializadas em automação de indústrias responsáveis por produção de equipamentos pesados para usinas de etanol, açúcar, papel e celulose, de acordo com o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis, o CEISE.

MAIS: Acesse essa matéria em formato de rádio aqui. 

Nos últimos três anos, de acordo com a Secretária de Desenvolvimento Econômico de Sertãozinho, as usinas sucroalcooleiras diminuíram os pedidos de materiais e as vendas nas empresas do município encolheram de forma drástica levando ao fechamento de quase uma dezena de indústrias de médio e grande porte.

As empresas que não fecharam foram obrigadas a se adequarem a crise econômica e, com isso, a capacidade de produção das indústrias ficou ociosa. Mais de três mil e 400 trabalhadores foram demitidos, de 2015 até este ano, no município. Os dados foram levantados pelo CEISE com números divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

MAIS RÁDIO: Presidenciáveis falam sobre crise da indústria de base sucroalcooleira

O montador, Valdemir Batista, trabalhou 32 anos na unidade de Sertãozinho da empresa Dedini Indústrias de Base. A unidade fechou devido a crise do setor sucroalcooleiro e o montador foi demitido. Ele conta que as demissões atingiram, inclusive, os funcionários mais antigos da empresa, tornando a vida de quem perdeu o trabalho difícil na cidade.

“A gente estava acostumado a viver com o salário e tivemos de baixar o padrão, diminuir os custos, diminuir as dívidas, e está difícil de sobreviver. A Dedini, onde a gente trabalhou a maior parte dos funcionários que foi demitida era todos funcionários antigos de 20 anos, de 15 anos de serviço”, contou.

Os cargos de alimentador de linha de produção, com 391 desligamentos; de soldador, com 366 desligamentos e caldeireiro, com 165 desligamentos, foram as profissões que mais perderam vagas, nos quatro primeiros meses deste ano, Sertãozinho.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho, Samuel Marqueti, revela que muitos trabalhadores que perderam o emprego ainda não tiveram acesso ao dinheiro da rescisão do contrato trabalhista e, além disso, a volta ao mercado de trabalho está sendo uma missão difícil para os profissionais do município.

“A gente ainda vê aqui, com os trabalhadores, a dificuldade da volta desses trabalhadores ao mercado de trabalho. Muitos trabalhadores também saíram sem suas verbas rescisórias. O sindicato tem um número grande de ações na Justiça para que os trabalhadores recebam. Recebam o mínimo daquela rescisão. Muitos saíram com a mão na frente, outra atrás, essa é uma realidade grande”, revelou.

A crise enfrentada pela indústria de base também pode reflete nas contas da prefeitura. O município espera ter receita de pouco mais de 500 milhões de reais, em 2018. A maior fonte de renda é a arrecadação com o ICMS, cerca de 76 milhões de reais.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Sertãozinho, Paulo Roberto Gallo, conta que a arrecadação do ICMS deve cair em cerca de 30 milhões de reais, este ano.

“Tivemos uma diminuição bem significativa, por exemplo, na nossa cota de participação no ICMS. Isso significa, só de ICMS, a gente prevê uma redução de R$ 30 milhões de reais no orçamento do município só do ICMS. Estamos perdendo entorno de 15%, 20%”, contou.

A indústria de base de Sertãozinho precisa contar com as usinas sucroalcooleiras para se manterem ativas. Porém, o problema é que, apenas no estado de São Paulo, 25 usinas estão em recuperação judicial. Nos últimos dois anos, quatro usinas foram fechadas no estado, duas em Sertãozinho. Os números são da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, a UNICA, com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Para o especialista em Tecnologia do Álcool, da Universidade de São Paulo, USP, Antônio Sampaio Batista, os empresários do setor sucroalcooleiro estão endividados, sem forças financeiras para novos investimentos. Ele explica que as recentes políticas de controle de preços dos combustíveis, adotadas pelo governo Federal, levou o setor à crise.

“Congelou o preço do combustível, mas não congelou, por exemplo, o preço dos insumos, não congelou o preço dos equipamentos, das máquinas agrícolas, preços de salários, com isso, o investidor, quanto o produtor rural, quanto o empresário, deixou de fazer os investimentos. Se a gente tivesse uma política pública mais definida. Definir quanto o país quer consumir de etanol, isso permitiria o empresário fazer o investimento”, explicou.

Em ano eleitoral, os avanços e atrasos da matriz energética do país entra no debate dos presidenciáveis. Nossa reportagem tentou falar com os pré-candidatos à Presidência da República, mas não conseguimos entrevistas com Geraldo Alckmin, do PSDB; Jair Bolsonaro, do PSL; Marina Silva, da Rede Sustentabilidade; Guilherme Boulos, do PSOL e Manoela D’Ávila, do PC do B.

O senador Álvaro Dias, pré-candidato à presidência do Podemos, acredita que o país precisa ampliar a produção de etanol por meio de investimentos em outras culturas, como algas e biomassa.

“Faltam políticas que produzam um bom desenho do mercado para os biocombustíveis e que impulsione o desenvolvimento e o aperfeiçoamento tecnológico para uso de outras fontes para produção de etanol, como algas e biomassa, como os resíduos agrícolas”, sugeriu.

O pré-candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes, disse que as políticas públicas voltadas para o setor sucroalcooleiro devem ser tratadas com prioridade.

Ele considera, com otimismo, que o setor tem todas as condições de crescer de forma plena, desde que as políticas públicas sejam implementadas corretamente para impulsionar a produção de biocombustíveis no país.

“A quantidade de usinas que fechou no Brasil é criminosa. Porque teve um certo momento que o preço ficou impossível de honrar os custos, o setor foi obrigado a se endividar, lá se vem o juro para matar todo mundo, e isso hoje oprime muito esse setor sucroalcooleiro. Se nós regularmos, com prioridade, desde o biogás até o biocombustível mais sofisticado, o Brasil tem toda condição, se o governo ajudar na decolagem, de voar por si mesmo, e isso é uma das linhas do projeto nacional de desenvolvimento que eu tenho defendendo no Brasil”, considerou.

Sertãozinho tem mais de 110 mil habitantes e, em 2015, o salário médio mensal da população era de pouco mais de três salários mínimos. A população empregada, em relação ao número total de habitantes, era de 40%. Os dados são o IBGE.

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