
Por Camila Costa
A incorporação das novas tecnologias pelo setor produtivo não é mais uma escolha. No entanto, os desafios, as inseguranças e os custos desse processo podem retardar ou impedir a incorporação da Indústria 4.0. Em Roraima, pequenos empresários poderão fazer isso com ajuda de especialistas que garantem um processo mais simples e barato, usando informações e tecnologias que já existem e poderão ser introduzidas nos processos fabris das empresas. Um dos canais é Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), que está preparando workshops no estado voltados para a assistência técnica nessa área.
A empresa global de consultoria de gestão McKinsey estima que, até 2025, os processos relacionados à Indústria 4.0 poderão reduzir custos de manutenção de equipamentos entre 10% e 40%, reduzir o consumo de energia entre 10% e 20% e aumentar a eficiência do trabalho entre 10% e 25%. Mesmo sendo um desafio, é necessário a incorporação das novas tecnologias, como mostra também estudo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o “Propostas para as eleições 2018 – Indústria 4.0 e Digitalização da Economia”.
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De acordo com o material, enviado aos candidatos à presidência da República como forma de estimular o debate nos próximos quatro anos, as principais nações industrializadas têm inserido o desenvolvimento da Indústria 4.0 no centro de suas estratégias de política industrial para preservar e aumentar a competitividade dentro do setor produtivo. Uma das principais medidas em Roraima para o próximo ano é a aplicação dos conceitos da quarta revolução industrial dentro do novo modelo de Ensino Médio, previsto com a reforma aprovada pelo Governo Federal. Leia mais aqui.
Segundo o gestor e interlocutor de Indústria 4.0 do SENAI de Roraima Antônio Robério Barbosa Uchôa, após um trabalho junto das empresas, como o Programa Brasil Mais Produtivo, o SENAI se prepara agora para levar até os empresários consultorias e mão obra qualificada, a partir dos cursos técnicos na área de tecnologia, como de manufatura enxuta. Duas linhas serão traçadas, uma de gerência de serviços de tecnologia, com visitas às empresas; e outra na área de educação, com formação de profissionais para atuarem junto a esse novo mercado.
“De uma forma geral, as indústrias estão naquele estágio inicial, porque a maioria das indústrias aqui do estado é de pequenas indústrias, não temos grande indústria. É preciso fazer trabalho de base mesmo. Esses processos de adequação aos conceitos de Indústria 4.0 passam, primeiramente, pela digitalização, pela informática em si. É necessário que passem a se informatizar. A gente chama de internet das coisas – algumas soluções que já existem e podem associar a algumas coisas físicas que já existem na empresa”, alerta o especialista.
Robério indica que novas tecnologias como a internet das coisas e big data podem ser introduzidas inicialmente. “A gestão de uma empresa às vezes ainda está incipiente no sentido de mostrar resultado, por exemplo, não gera informação, não sabe armazenar, ou armazena de forma sem muito profissionalismo. Agora imagina uma pequena empresa que passa a se informatizar, a fazer seus processos ficarem mais rápido, a gente pensa que é o primeiro passo. A gente diz que começa a fazer coisas básicas, com custo menor, pois a transformação tem custo, mas muitos são bem baixos ou, muitos deles, custo zero. Muito das soluções que existem, na internet, já estão disponíveis e basta pegar a tecnologia e usar”, indica o gestor.
Tecnologias sofisticadas são menores
Três públicos terão atenção especial no estado: mulheres, profissionais com mais de 40 anos e jovens. Workshops estão sendo preparados e servirão como assistência para empresas em termos de preparado e oferta de mão de obra especializada. “Com o advento da Indústria 4.0 não é que os empregos vão acabar, eles irão se transformar. Mas se eles irão se transformar, o trabalhador terá que se transformar também e essa formação é o que vamos tentar fazer, a formação dele”, afirma Robério.
Tecnologias mais sofisticadas têm menor presença na indústria brasileira, corrobora estudo da CNI. Cerca de 17% das empresas que investirão em tecnologias digitais pretendem investir em sistemas inteligentes de gestão, gêmeos digitais e inteligência artificial. Outros 23% devem adquirir tecnologias relacionadas a serviços em nuvem associadas a produtos. Para 18%, os investimentos se darão ainda em big data. Veja detalhes neste link.
Segundo o gerente-executivo de Política Industrial da CNI, João Emílio Gonçalves Gonçalves, há medidas para serem tomadas desde o campo regulatório e do financiamento, até o de apoio às empresas para o desenvolvimento de ações pontuais, que permitam essas mudanças. “A gente tem desafio na gestão desde a forma como a empresa prepara fazer essa transformação industrial. A gente tem cada vez mais uma integração entre a área de TI das empresas e a área industrial. Isso que antigamente era um pouco mais separado, você tinha ali a área industrial e a áreas de TI como espécies de suporte, hoje em dia está muito fundido isso aí. Porque todas essas tecnologias estão dentro da linha de produção. Então, isso obviamente coloca um desafio para as empresas da forma de se organizar. A forma de se organizar, obviamente, vai depender de cada empresa, a cultura da empresa, mas não é mais como funcionava antigamente”, alerta o gerente.
