Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Sem compensação, nova faixa de isenção do Imposto de Renda afeta serviços essenciais, como saúde e educação, dizem especialistas

Estudo da CNM estima que, caso as medidas compensatórias não sejam cumpridas, o impacto nos cofres municipais pode chegar a pelo menos R$ 9,5 bilhões por ano

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Em 2026, entrou em vigor a nova faixa de isenção do Imposto de Renda. O novo formato beneficia integralmente quem ganha até R$ 5 mil por mês, além de prever uma desoneração gradual para quem recebe até R$ 7.350. Essa medida, porém, acarreta perda de arrecadação por parte dos municípios.

O especialista em orçamento público Cesar Lima explica que o governo até anunciou ações de compensação com o objetivo de garantir um retorno efetivo dos valores aos cofres das prefeituras, mas não há garantia de que isso será cumprido. Diante disso, ele considera que existe a possibilidade de a execução de serviços básicos destinados à população ficar comprometida.

“De maneira geral, vai impactar em todos os serviços que o município presta, como nas áreas de saúde e educação. Alguns já prestam segurança pública através de suas guardas civis municipais. Então, isso, com certeza, vai fazer falta para os municípios, o que muito provavelmente pode preceder de bloqueios orçamentários nos municípios”, afirma.

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De acordo com o governo federal, com o intuito de reduzir a queda na arrecadação, foi restabelecida em 2026 a cobrança de imposto sobre a distribuição de lucros e dividendos. Para pessoas físicas residentes no Brasil, incide uma alíquota de 10% sobre os valores que excederem R$ 50 mil por mês — ou R$ 600 mil por ano — recebidos de cada empresa.

O especialista em orçamento Dalmo Palmeira destaca que os cálculos não são claros e, portanto, deixam uma lacuna de entendimento sobre os efeitos da compensação.

Ele também afirma que a legislação estabelece que, caso a reparação não seja cumprida, a União assume essa responsabilidade. No entanto, não há especificação sobre a origem dos recursos que seriam utilizados para essa compensação. Diante disso, Palmeira entende que até mesmo o pagamento do funcionalismo público pode ser afetado.

“Isso aí envolve saúde, educação, infraestrutura, mas, inclusive, outras áreas também podem ser atingidas. A depender da estrutura do financiamento do orçamento de cada município, pode, inclusive, afetar a dificuldade para o pagamento da folha de pessoal por conta dessa redução da receita”, pontua.

Impacto na arrecadação municipal e nos repasses do FPM

Um estudo publicado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que, caso essa compensação não seja realizada, a medida poderá retirar ao menos R$ 9,5 bilhões por ano dos cofres municipais.

Do total estimado de perdas, cerca de R$ 5 bilhões referem-se à redução da arrecadação própria do Imposto de Renda, enquanto aproximadamente R$ 4,5 bilhões dizem respeito à diminuição dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

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LOC.: Uma mudança recente nas regras do Imposto de Renda pode trazer impactos para as contas das prefeituras em todo o país. A nova faixa de isenção, que passou a valer em 2026, beneficia contribuintes com rendimentos menores, mas também deve reduzir a arrecadação que chega aos municípios.

Pela nova regra, quem ganha até CINCO MIL REAIS por mês ficou totalmente isento do pagamento do imposto. Já para quem recebe até SETE MIL TREZENTOS E CINQUENTA REAIS, foi criada uma faixa de desconto gradual.

Apesar do alívio no bolso de milhões de brasileiros, especialistas alertam que a medida pode provocar perda de recursos para os cofres municipais, caso não haja uma compensação efetiva por parte do governo federal.

O especialista em orçamento público Cesar Lima explica que o governo até anunciou ações para compensar essas perdas, mas ainda não há garantia de que a medida será eficaz, afetando o investimento em áreas importantes para a sociedade. 

TEC./SONORA: Cesar Lima, especialista em orçamento 

“De maneira geral, vai impactar em todos os serviços que o município presta, como nas áreas de saúde e educação. Alguns já prestam segurança pública através de suas guardas civis municipais. Então, isso, com certeza, vai fazer falta para os municípios, o que muito provavelmente pode preceder de bloqueios orçamentários nos municípios.”
 


LOC.: Para reduzir a queda na arrecadação, o governo federal restabeleceu, em 2026, a cobrança de imposto sobre a distribuição de lucros e dividendos. A alíquota é de DEZ POR CENTO sobre valores que ultrapassem CINQUENTA MIL REAIS por mês — ou SEISCENTOS MIL REAIS por ano — recebidos de cada empresa por pessoas físicas.

O especialista em orçamento Dalmo Palmeira destaca que os cálculos ainda não estão claros e podem deixar lacunas sobre os efeitos reais da medida. Ele também alerta que, caso a compensação não aconteça, até o pagamento de servidores municipais pode ser afetado.

TEC./SONORA: Dalmo Palmeira, especialista em orçamento 

“Isso aí envolve saúde, educação, infraestrutura, mas, inclusive, outras áreas também podem ser atingidas. A depender da estrutura do financiamento do orçamento de cada município, pode, inclusive, afetar a dificuldade para o pagamento da folha de pessoal por conta dessa redução da receita.”
 


LOC.: Um estudo publicado pela Confederação Nacional de Municípios, a CNM, aponta que, caso essa compensação não seja realizada, a medida poderá retirar ao menos NOVE BILHÕES E MEIO DE REAIS por ano dos cofres municipais.

Reportagem, Marquezan Araújo