Por Sara Rodrigues
A tecnologia da Indústria 4.0 traz consigo um mundo de inovações. Objetos inanimados passam a ser inteligentes e a carregar informações que podem ser trocadas com seres humanos. A plataforma Seif, criada no Centro de Inovação SESI de Tecnologias para a Saúde, é voltada para empresas de construção civil, e auxilia os gestores a monitorar ambientes.
A plataforma possui um tipo de software que faz a parte de gestão das informações. É um site que armazena cursos para os funcionários da empresa e mapeia áreas de riscos do ambiente que está em construção. Os cursos são fornecidos em um login que a própria empresa adquire quando compra o serviço.
Outra tecnologia utilizada são sensores que ajudam a monitorar os funcionários e a obra. No caso dos funcionários, o sensor fica nos capacetes. Já no ambiente, ele é colocado em cones.
De acordo com a engenheira de Segurança do Trabalho do SESI Juliana Teixeira, o sensor individual reúne informações dos cursos feitos pelo trabalhador e se ele está habilitado para acessar determinadas áreas da construção. “O sensor começa a fazer o monitoramento das pessoas que estão trabalhando naquele local, e se um trabalhador que está lá não tenha habilitação ou equipamento de proteção individual adequado de riscos que aquele sensor está monitorando, o sistema emite um alerta”, afirma Teixeira.
Além desse trabalho voltado para a segurança dos próprios trabalhadores, o Seif auxilia também a empresa na parte burocrática, por meio de um acompanhamento, informando se as leis de Segurança e Saúde do trabalho estão sendo cumpridas. “A gente auxilia a empresa principalmente com as questões trabalhistas: manter em dia os atestados de saúde ocupacional, equipamentos de proteção individual, capacitações, habilitações e toda a parte de documentação necessária”, explica Juliana Teixeira.
A engenheira civil Cindy Anne trabalha em uma construtora de Balneário Camboriú, Santa Catarina. A empresa já utilizou o Seif, e para a engenheira, o serviço foi útil em todos os três módulos oferecidos pelo SESI: o regulatório, o de informação e comportamento.
“Conseguimos monitorar todos os riscos, fazer um levantamento, análise preliminar. Mapeamos os locais com maior risco e a gente tinha o controle de que nenhum funcionário que não fosse habilitado para estar naquele local estava. O diferencial do Seif é isso: a gente conseguia mapear os locais de risco da empresa”, defendeu Cindy Anne.
Centros de Inovação SESI
Ao todo, o Serviço Social da Indústria (SESI) possui 8 Centros de Inovação. Todos desenvolvem soluções em Segurança e Saúde no Trabalho (SST) para atender as necessidades da indústria, promovendo a saúde dos empregados.
No caso do Centro de Inovação SESI de Tecnologias para a Saúde, inaugurado em Santa Catarina em 2016, o trabalho busca inovar na melhoria da saúde e produtividade dos funcionários para melhorar a competitividade das empresas.
Segundo o psicólogo e pesquisador do SESI, Luciano Caminha, o centro de inovação “está sempre olhando para a tecnologia e inovação, e com essa proximidade com a indústria, capta as necessidades que existem, para desenvolver os projetos tanto de pesquisa quanto de desenvolvimento e fornecer valor para a indústria”.
Atualmente, a indústria é responsável por empregar mais de 745 mil pessoas em Santa Catarina, o que representa 34% do emprego formal do estado.
Os outros sete Centros de Inovação são voltados para Economia para Saúde e Segurança, Ergonomia, Fatores Psicossociais, Higiene Ocupacional, Sistemas de Gestão em SST e Prevenção da Incapacidade.
De acordo com o Portal da Indústria, os objetivos dos centros são: reduzir o número de acidentes no trabalho, diminuir os custos por acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, aperfeiçoar a performance do trabalhador na indústria, expandir a cultura de prevenção e gestão de riscos e contribuir para o aumento da produtividade das empresas.