Saúde - undefined·02 de julho de 2018

SAÚDE CRÔNICA: Copa do Mundo, ontem e hoje

Por Agência do Rádio
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Ainda hoje as lembranças daquele mês de julho de 1994 permanecem vívidas em minha memória. Meus irmãos, uma prima mais nova e eu tínhamos terminado os deveres de casa e pensávamos em algo para fazer durante aquela tarde de calor. Foi então que o meu pai, o senhor Janary, ou Janão para os amigos, chegou em casa e mandou todos se arrumarem para sair em poucos minutos. Nenhum de nós sabia para onde o que iriamos fazer.

Passamos por ruas completamente tomadas por enfeites verdes, amarelos e azuis. Bandeiras do Brasil pendiam de várias janelas, postes ajudavam a prender linhas por onde escorriam fitas e balões nas mesmas cores. Na época nós não sabíamos, mas aqueles adereços todos eram os ornamentos tradicionais durantes as copas do mundo de futebol. Então chegamos até a casa da estimada avó Isabel, uma senhora maravilhosa e de quem sinto saudade ainda hoje. E lá foi onde nós assistimos ao nosso primeiro jogo da seleção brasileira em uma copa do mundo.

Eu era o mais velho, com nove anos de idade, mas mesmo a minha prima mais nova – que morava conosco naquele tempo; pôde sentir a emoção em cada vibração das pessoas durante a partida. O Brasil marcou dois a zero em cima da Rússia, que por coincidência, 24 anos depois é o país sede dessa copa 2018. Depois desse primeiro jogo, muita coisa em nossa vida mudou. Assistimos com afinco e torcendo pelo Brasil o restante do campeonato até a inesquecível final contra a Itália, em que nos sagramos tetra campeões mundiais.

O tempo passou e hoje eu vejo o quanto aquele momento foi importante. Meu pai nunca torceu por nenhum time, mas soube aproveitar ali a oportunidade de estimular os filhos e a sobrinha no hábito da prática de esportes. Antes, já tínhamos feitos aulas de natação, andávamos de bicicleta e claro que jogávamos futebol, mas depois de assistir a copa, nosso interesse aumentou muito, ao ponto de jogarmos entre nós mesmos todos os dias após os deveres, durante anos.

Não foi preciso que o meu pai tivesse lido os resultados da recém-lançada pesquisa feita entre Brasil, Estados Unidos e Austrália, que afirma que quanto maior a oportunidade de prática esportiva nos primeiros anos de vida, maior é a probabilidade de continuar essa prática nos anos posteriores. Meu pai apenas descobriu que o segredo de incentivar as crianças é antes preparar o terreno, não pressionar e proporcionar momentos felizes. E foi isso que ele fez, nos tornou mais felizes.

Por Janary Damacena.

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