Saúde - undefined·27 de abril de 2018

Saúde Crônica: Boxe rompendo amarras

Por Agência do Rádio
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Desde moleque, sempre gostei de lutas de boxe. Eu assistia fascinado às lutas que eram transmitidas pela tv, principalmente dos pesos pesados que aos olhos de um garoto nas décadas 1980 e 1990, pareciam gladiadores modernos, mostrando toda a robustez de seus corpos em cima de um ringue enquanto destilavam golpes com toda a fúria e destreza técnica da nobre arte.

O tempo passou e eu, já adulto, resolvi desencalhar esse sonho de criança: o de treinar boxe. O começo foi dureza com exercícios como pular corda, treinar as várias técnicas do pugilismo e bater em sacos de areia até os braços não aguentarem mais ficar de pé – e para os mais entusiasmados os sparrings, que são lutas durante o treino.

E todo esse esforço é recompensador para a saúde física! No meu caso, cheguei a emagrecer dez quilos, ganhar músculos e aperfeiçoar meus reflexos, tornando-os mais aguçados do que quando era um adolescente.

A movimentação constante e a necessidade de se manter ágil faz de um lutador de boxe uma pessoa com preparo físico invejável, que tem uma coordenação incrível entre braços, pernas, tronco e cabeça, que faz todo o corpo trabalhar de maneira mais sincronizada.

Apesar de crescer gostando do boxe, nunca o tinha visto como um esporte de superação. Mas isso mudou quando conheci Carlos Patto, um senhor de 71 anos e que há 28 anos convive com a doença de Parkinson.

Essa é uma doença degenerativa que corrompe o sistema nervoso central afetando funções do corpo como os movimentos, o equilíbrio e causa tremores nas mãos, diminui os reflexos entre outros efeitos.

Um dia eu estava fazendo uma reportagem sobre a doença e Parkinson e entrevistei o Carlos. Depois de gravar a entrevista, ficamos conversando na sala de sua casa sobre vários assuntos, até que ele comentou que um dos exercícios que mais o ajudam contra a doença são os treinos de boxe. Fiquei surpreso!

Assisti a um treino e o que vi me mostrou que o boxe é mais do que um exercício físico: é um combustível para o corpo e a mente. Ele desperta a força de vontade que existe dentro de nós e nos faz encarar desafios, superar medos e as limitações do corpo.

Com o Carlos eu aprendi que cada um de nós tem uma luta para encarar, e os esportes podem nos ajuda a romper as amarras que certas doenças impõem. Por isso, mexa-se, nunca baixe a guarda para as complicações de saúde.

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