
Por Camila Costa
Foi preciso abdicar de algumas coisas para alcançar essa conquista, segundo Leonardo Camargo Souza de 19 anos. As renúncias foram feitas para estar entre os finalistas por uma vaga na delegação brasileira que vai à Rússia, em agosto, para participar da WorldSkills. Leonardo abriu mão de viagens com os amigos, de um emprego fora da cidade onde mora, Araraquara; e de uma cadeira na faculdade de engenharia mecânica, mesmo a contragosto dos pais. Agora, a um passo do grande sonho, o jovem se prepara para, estando na Rússia, trazer na uma medalha para o Brasil.
Leonardo participou da seletiva estadual em 2017. Um ano depois, após vencer a nacional, consagrou a vaga para a seletiva do mundial na modalidade de Desenho Mecânico. A competição é o maior desafio de profissões técnicas do mundo e ocorrerá entre os dias 22 e 27 de agosto, no Centro Internacional de Exposições Kazan Expo, na Rússia. A delegação brasileira ainda aguarda a seleção de seis competidores do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), totalizando 63 competidores na equipe do Brasil.
No processo estadual, Leonardo chegou a treinar cerca de 2.500 horas. Treinava de segunda a sábado, de oito a dez horas por dia, inclusive aos domingos e feriados. “Quando eu comecei nas olimpíadas, era uma modalidade que não tem na grade do meu curso, então comecei literalmente do zero. Faço desenho mecânico no computador. Antes, eu desenhava uma coisinha simples como uma colher, hoje eu desenho o motor de um carro completo, para ter uma noção de um crescimento nesse processo”, conta o jovem.
A evolução rápida, em cerca de um ano, contagiou Leonardo. Fez com que a parte mais difícil, da dedicação, virasse combustível. “Desde pequenininho eu tive um sonho de representar o Brasil em alguma coisa e apareceu essa oportunidade para mim. Comecei a treinar e vi que gostei, daí eu me arrisquei, podia ter perdido e perdido tudo que eu poderia ter ganho, daí me sacrifiquei e me dediquei só para isso”, afirma. Os meses que antecedem a competição serão de concentração. “Agora é a hora de prestar atenção em todos os mínimos detalhes. Lá no mundial, ganha quem erra menos, todo mundo é bom lá. Então, quem errar menos, vai ganhar”, finaliza Leonardo.
Estudos mostram que a educação profissional impacta positivamente a vida de diversos jovens no Brasil. Em 2017, cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos no ano passado foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. De acordo com levantamento do SENAI, o curso técnico é o caminho mais rápido para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho e também uma opção para o trabalhador desempregado em busca de recolocação no mercado. O salário de um profissional técnico varia entre R$ 8,5 mil e R$ 12 mil.
Para o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, o país tem potencial em educação profissional. “O Brasil tem sido representado pelo SENAI e pelo Senac, que tem as ocupações mais da área do comércio e serviços, e o Brasil fica sempre entre os primeiros colocados”, afirma.
Conheça a WorldSkills
A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia e África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades, de acordo com as profissões técnicas da indústria e do setor de serviços. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos.
Os jovens também vão precisar demonstrar habilidades individuais e coletivas para concluírem os desafios de suas ocupações dentro de 6 horas. Se conquistar a vaga na equipe brasileira, durante os quatro dias de competição, Leonardo e os outros competidores terão, no máximo, 22 horas para entregarem o projeto. Em 18 participações, o Brasil já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, a equipe ficou em primeiro no ranking por países.