Depois da epidemia de Dengue, em que os moradores de Santa Cruz do Capibaribe vivenciaram em 2015, todo mundo já deve estar cansado de saber as formas de combate ao mosquito. Naquele ano, foram mais de 3300 casos notificados da doença. Já em 2016, esse número caiu para 370. Mesmo assim, em 2017 esse número voltou a subir e quase dobrou: foram 644 casos suspeitos da doença. Não podemos dar brechas para o mosquito. A cidade já está há três anos na zona de risco do Mapa da Dengue. E a luta continua. Nara Saraiva, que trabalha na Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde do município, esclarece que um dos maiores riscos está nos armazenamentos de água dos domicílios.
“Muitas vezes, em muitas residências, não têm depósitos vedados pra o acúmulo da água, né? Até as próprias caixas d’água não têm as tampas originais. As bobonas, que as pessoas usam, têm frestas e as pessoas mais carentes ainda guardam a água em qualquer depósito: em baldes d’água, em garrafas pets, em tampas, em qualquer depósito que você possa imaginar. Então, é por isso que os focos intradomiciliares são muito grandes.”
A especialista considera fundamental um maior empenho, das secretarias de Educação e Saúde, para conscientizar a população sobre o combate ao mosquito. Para ela, deve-se ter uma educação continuada durante todo o ano, e não só nos períodos de aumento nos casos da doença. Marinalva Pereira dos Santos, de 52 anos, é moradora da cidade e também trabalha no Combate à Dengue na Secretaria de Saúde. Ela relata que já foi infectada por Dengue e Chikungunya. E não só ela, na sua casa todo mundo foi infectado pela Dengue, em 2015. Seu marido, Heleno Gonçalves de 57 anos, e seus filhos Heleno Júnior, de 34, e Érica dos Santos, de 24. Segundo ela, muitos outros moradores do bairro onde mora, o Dona Dom, também contraíram a doença. Mas, para ela, o pior foi quando contraiu a Chikungunya. Ela desabafa como foi a experiência com a doença.
“Fiquei até hoje com dor nas minhas pernas. Meu calcanhar mesmo, ainda continua inchado, nunca desinchou depois que eu tive a Chikungunya. A maioria das pessoas que tiveram Chikungunya, aqui, também ficaram assim, com dores nas pernas até hoje e os pés inchados. Tornozelo inchado, nunca desincha, e aquela dor assim direto. Se ficar muito tempo em pé, você não aguenta.”
Ela conta ainda que muitos outros funcionários da Secretaria de Saúde também pegaram Dengue. Está vendo? Ninguém está imune ao vírus. Não deixe que o mosquito se prolifere. Faça parte dessa luta. Verifique acúmulos de água em pneus, latas, vidros, garrafas, vasos de flores, caixas d’água, tampinhas de garrafas, e outros possíveis pontos de infestação. Participe também e lembre-se de que um mosquito pode prejudicar uma vida e o combate começa por você. Para mais informações sobre o assunto, acesse: saude.gov.br/combateaedes.