SANTA CATARINA: Uma luz no fim do túnel
A catarinense Edna dos Santos, de 47 anos, descobriu que vive com HIV desde março de 1996, durante a gravidez da filha primogênita. A funcionária pública, que é de Santa Catarina, e na época tinha apenas 25 anos, foi a primeira gestante com o vírus a ser acompanhada por uma equipe médica em um hospital público de Patos de Minas, cidade mineira em que morava na época da gravidez. No mês em que soube do diagnóstico, nem todos os antirretrovirais eram oferecidos pela rede pública.
“Esse medo a gente tinha naquela época, até porque tinha pouca informação veiculada e a pouca informação que tinha era preocupante. Mas a médica que me atendia era uma pessoa muito competente e humana. Ela me acompanhou junto com outro ginecologista e (eles) me chamavam de cobaia por ser a primeira grávida (com o HIV), mas, graças a Deus, eu tive um bom acolhimento. ”
Na gravidez, Edna tomava cerca de 150 comprimidos por mês do AZT, único antirretroviral a que conseguia ter acesso na rede pública. Mas a preocupação ainda batia à porta. A luta principal era contra a transmissão vertical, quando a criança é infectada pela mãe durante a gestação. Foi quando, então, uma luz apareceu no fim do túnel. O médico responsável pelo parto da filha decidiu agir de forma anônima para que a história tivesse outro final.
“Eu recebi uma doação do remédio para a minha filha tomar e fazer a profilaxia depois do nascimento. E o remédio durante o parto também foi doação. Até o momento não tinha ainda a distribuição gratuita do Ministério da Saúde.”
Graças aos medicamentos doados, a filha dela nasceu sem o vírus. Hoje, aos 47 anos, Edna, que voltou a morar em Santa Catarina, tem uma vida com outro roteiro. Há 20 anos conheceu o marido, que não tem HIV, e tiveram um filho, que também não tem. Além de ter acesso a todos os antirretrovirais pela rede pública, Edna já está há uma década com a carga viral indetectável, ou seja, não transmite o vírus.
“Quando eu estava grávida da minha primeira filha, a médica deu a certeza de não transmissão vertical de 70%, mas tinha ainda uma chance de 30% da criança ser infectada, mas eu acreditei no 70%. Já no segundo momento, a gente tinha mais certeza ainda, 96% de que daria tudo.”
Edna está entre as 38 mil pessoas que vivem com HIV em Santa Catarina. E apesar de o Brasil ser referência no tratamento do HIV/aids, com inúmeros avanços, ainda assim, para Eduardo Macário, diretor de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, a prevenção continua sendo a melhor forma de evitar a transmissão do vírus.
“Inicialmente, é bom enfatizar que a melhor forma de prevenir contra o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis é, principalmente, o uso de preservativo durante as relações sexuais de forma a prevenir o contato com o vírus.”
Por isso, é importante que faça checagem regularmente, use camisinha e conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS Essa é uma luta de todos. Proteja-se. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br. Ministério da Saúde, Governo Federal.