Educação - undefined·31 de janeiro de 2020

RS: Alunos de Santa Cruz do Sul desenvolvem aplicativo para ajudar população no descarte correto de lixo

Projeto da equipe de robótica do SESI da cidade indica endereço, telefone e horário de funcionamento de pontos de coleta para cada tipo de resíduo

Por Jalila Arabi
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A equipe de robótica do SESI de Santa Cruz do Sul (RS) desenvolve um aplicativo que vai orientar os moradores do município a encontrar locais apropriados para o descarte de lixo. O projeto, batizado de “Descarte Certo”, é um dos selecionados para o Torneio SESI de Robótica FIRST Lego League (FLL), que ocorrerá no início de março, em São Paulo.

A “Aventura Legow”, composta pelos alunos Julia Tavares (12), Laura Kappel (14), Ana Paula Martins (13), Gabriela Pizzolato (12), João Sestari (13) e Roger Machado (13), tem trabalhado em uma plataforma para celular que vai trazer informações como locais, telefones, endereços e horários de funcionamento para o descarte de cada tipo de lixo: eletrônico, medicamentos, lâmpadas, vidros e materiais de construção.

“Uma professora nossa queria descartar objetos eletrônicos. Ela foi a vários pontos da cidade e nenhum descartava esse tipo de lixo”, relata a estudante Gabriela Pizzolato, uma das integrantes da equipe. O descarte incorreto do lixo eletrônico na natureza, vale lembrar, é considerado crime ambiental, segundo a Lei 12.305/10, que regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). “O nosso aplicativo é para que as pessoas possam ir ao lugar certo sem perder muito tempo”, completa a estudante.

Segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente de Santa Cruz do Sul, em 2018, a cidade produziu, por dia, mais de 90 toneladas de lixo, que nem sempre tem a destinação correta. No país, uma pesquisa realizada pelo IDEC-Market Analysis mostra que apenas 1% dos descartes dos celulares, 2% dos eletroeletrônicos e 5% dos eletrodomésticos são feitos em pontos de coleta específicos. Além disso, a estimativa é que os brasileiros gerem cerca de 1,7 milhão de toneladas desse tipo de resíduo e apenas 4% desse total seja reaproveitado.

“A equipe conversou bastante com diversos profissionais, com a própria prefeitura da cidade e eles identificaram o lixo como principal problema da comunidade. E a gente percebeu também que a maioria da população não sabe onde descartar esse lixo. E esse descarte incorreto pode gerar problemas na cidade, como enchentes, contaminação do solo, das águas, dos rios”, explica a monitora e uma das técnicas da Aventura Lego, Renata de Oliveira.

Outra ideia do grupo é estimular, com o aplicativo, a chamada economia circular, conceito ligado ao desenvolvimento sustentável. “A tecnologia está inserida no futuro, nas cidades inteligentes. E aplicativo e celular todos têm em mãos. Então, estamos aprimorando o aplicativo, queremos colocar uma caixa de contato de mensagens direta com a COOMCAT, uma cooperativa de catadores aqui da cidade”, complementa ela.

No ano passado, a Cooperativa de Catadores e Recicladores de Santa Cruz do Sul, citada por Renata, encaminhou mais de mil toneladas de resíduos para reciclagem e impactou direta e positivamente quase 50 mil pessoas em 15 bairros atendidos, gerando renda para mais de 50 famílias do município.

A competição
O Torneio de Robótica FIRST LEGO League reúne 100 equipes formadas por estudantes de 9 a 16 anos e promove disciplinas, como ciências, engenharia e matemática, em sala de aula. De 31 de janeiro a 16 de fevereiro, haverá as disputas regionais. Os melhores times garantem vaga na etapa nacional, que ocorre em março, em São Paulo.

O objetivo é contribuir, de forma lúdica, para o desenvolvimento de competências e habilidades comportamentais exigidas dos jovens. Todo ano, a FLL traz uma temática diferente. Em 2020, os competidores terão que apresentar soluções inovadoras para melhorar, por exemplo, o aproveitamento energético nas cidades e a acessibilidade de casas e prédios.

O diretor de Operações do Departamento Nacional do SESI, Paulo Mol, ressalta que a elaboração dos projetos estimula a autonomia e o trabalho em equipe e contribui para a formação profissional dos alunos. “A questão do empreendedorismo é a base de todo o processo. Nesse torneio, uma das avaliações que é extremamente importante é a capacidade de empreender, de buscar coisas novas, de fazer com que o produto seja desenvolvido”, atesta.

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SOBRE

Jalila Arabi

Jornalista formada há 15 anos e pós-graduada em língua portuguesa, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Antes de ingressar na redação do Brasil61, passou por importantes órgãos, como Inep/ MEC, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Frente Nacional de Prefeitos e Federação Nacional dos Policiais Federais, além de realizar cobertura dentro do Congresso Nacional. Experiência também em gerenciamento de crise, redação, edição e revisão de textos, produção de conteúdo de rádio e assessoria.

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