Quase 42 mil pessoas se aposentaram no ano passado, em Roraima. Só de benefícios previdenciários urbanos, o estado emitiu mais de 22 mil. Já o número de pensões ou aposentarias rurais concedidas em 2016, chegou a 19.676. A população total do estado é de 514.229 habitantes. Os dados são do PNAD/IBGE.
As despesas do estado com Previdência aumentaram consideravelmente nas últimas décadas. Em 1992, por exemplo, a quantidade de idosos aposentados representava 4,4% da população total. Essa taxa subiu para 7,6% em 2015. Em proporção nacional, a variação foi de 8,2 para 14,2% no período.
O pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE-FGV), Bruno Ottoni, afirma que a concessão dos benefícios é um direito dos contribuintes. No entanto, o especialista acredita que, para o sistema não se tornar insustentável, é necessária a imposição de novos critérios para se aposentar.
“Hoje, com essa característica do Brasil de ainda ser um país relativamente jovem, nós já gastamos muito com a Previdência. Portanto, à medida que o país for envelhecendo, a tendência é que a situação se torne calamitosa. Qualquer um que se debruce sobre os números, vai chegar à conclusão de que as regras atuais são insustentáveis.”
A retomada da análise e votação do texto da reforma vai ficar para 2018, depois do recesso parlamentar. Para o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE-FGV) Fernando de Holanda Filho, esse é uma discussão que não pode ser adiada por muito tempo.
“Eu acho que a gente está perdendo tempo não discutindo, estamos perdendo tempo não aprovando. Você tem condições muito frouxas de concessão. São vários pontos não sustentáveis ao longo do tempo que precisam ser revistos.”
Segundo estimativas do Tesouro Nacional, o rombo no setor previdenciário pode chegar a R$ 181,6 bilhões em 2017. No ano passado o valor também foi expressivo, alcançando a marca dos R$ 149,73 bilhões, prejuízo 74,5% maior do que o registrado em 2015.
Reportagem, Marquezan Araújo