O caos está instalado no Rio Grande do Norte desde o dia 20 de dezembro, data em que os policiais militares, civis e bombeiros militares decidiram parar de trabalhar por falta de pagamento dos salários de novembro, dezembro e do 13º. A população sente-se insegura e com medo por conta do aumento da violência em todo o Estado.
Nesta quarta-feira (3), o Comandante Geral da Polícia Militar, Coronel Osmar José Maciel de Oliveira, se encontrou com o Secretário de Planejamento, Gustavo Nogueira, para tratar de assuntos ligados à segurança pública do Estado. Eles trataram de assuntos como as situações das viaturas da instituição e sobre a regularização dos salários atrasados.
60% do efetivo da Polícia Militar voltou a circular pelas ruas de Mossoró. O que não ocorreu em Natal, por exemplo. Durante esta quarta-feira (3), os policiais civis foram para a Delegacia Geral de Polícia, se apresentaram e se algemaram. O ato ocorreu pelo fato do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte ter considerado o movimento ilegal e ter determinado prisão para os policiais da ativa e da reserva que incentivassem a greve.
De acordo com o policial aposentado, Ivan Esteves dos Santos, de 58 anos, o movimento não é uma greve e o que eles querem é apenas que os salários deles sejam pagos.
“Não é uma greve. É uma paralisação individual, porque estamos todos sem salário. Então não recebe este nome de greve e sim uma paralisação justa e lógica! Nós, ou qualquer pessoa que passe por esta situação, vai estar reagindo da mesma forma. Tem colegas nossos que realmente estão passando fome. É uma situação vexatória para nós, não só diante da sociedade, como do comércio, em todos os lugares. É uma situação ridícula para nós estarmos em uma situação dessa.”
O policial aposentado há 2 anos, Ivan Esteves dos Santos, espera que este pagamento chegue logo, porque já tem gente querendo se matar por conta desta situação.
“Já tem gente chegando a extremos. Hoje chegou a informação para a gente pelo zap que teve um colega da PM que tentou suicídio. Porque a pessoa se descontrola e nem tem condição psicológica de trabalhar. Como é que uma pessoa já revoltada, chateada, com atraso, a família necessitada, vai botar uma arma na mão para sair para trabalhar? Qual vai ser o resultado deste confronto?”
Uma proposta de calendário de pagamento já está sendo discutida pela Secretaria de Planejamento e pela Sede do Governo do Estado. De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Civil, o Governo vai encerrar a folha de pagamento do mês de novembro no sábado, dia 6/1, pagando os salários de quem ganha acima de R$ 4 mil.
Reportagem, Cintia Moreira