Por Aline Dias
Os setores de construção, extração de petróleo e gás natural, derivados de petróleo e biocombustíveis, serviços industriais de utilidade pública e atividades de apoio à extração de minerais são os que possuem maior participação no PIB industrial do Rio de Janeiro. Juntos, esses segmentos representam 70,8% da indústria do estado. A média salarial dos empregados na indústria é de R$4.065,40. O valor é mais que o dobro da média nacional e o salário mais alto do Brasil. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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Responsável por empregar mais de 617 mil trabalhadores, a indústria vem sofrendo com a falta de profissionais qualificados. Segundo pesquisa realizada pela CNI, em 2016, 42% das empresas industriais consultadas consideravam que o investimento em novos modelos de educação e em programas de treinamento seria uma das principais medidas para acelerar a adoção de tecnologias digitais e a consolidação da “indústria do futuro” no país.
Atualizar o currículo da Educação Básica é uma das propostas encaminhadas pela confederação, em julho deste ano, aos candidatos à Presidência da República. O objetivo é aumentar a competitividade da indústria e do Brasil, e construir, nos próximos quatro anos, uma economia mais produtiva, inovadora e integrada ao mercado internacional.
Segundo o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi, o sistema educacional é decisivo para o reconhecimento profissional e, consequentemente, para o crescimento do país. Lucchesi também afirma a importância de investir em pilares fundamentais para a educação como ciência, tecnologia e inovação.
“Precisamos fazer um grande esforço se queremos ajudar a agenda de inclusão social para o jovem brasileiro, para melhorar a produtividade do trabalho, para melhorar a possibilidade dos jovens se inserirem no mercado de trabalho, construírem seus projetos individuais e gerar mais riqueza, bem-estar e competitividade para as empresas e para o país”, ressalta.
Lucchesi explica que é preciso investir na educação profissional, que proporciona aos estudantes, ainda durante o curso do ensino médio, orientações e o impulso necessários para facilitar o acesso ao mercado profissional, colocando o estudante um passo à frente dos que apenas se formam e não têm experiência com a futura profissão.
Para Ingryd Ferreira, 22 anos, o ensino profissional fez a diferença. Enquanto cursava o ensino médio, em 2014, decidiu fazer um curso técnico em administração, oferecido pelo SENAI. “Fiz o técnico para turbinar o currículo e conseguir um trabalho”. Hoje, Ingryd está no terceiro semestre de uma graduação em marketing e conta que o curso técnico a ajudou a definir qual profissão seguir. “Eu só descobri que eu gosto dessa área fazendo o curso técnico porque eu pude vivenciar várias áreas administrativas e consegui encontrar o marketing, a que eu mais me identifiquei”, afirma.
No Brasil, apenas 11,1% dos alunos do ensino médio estão matriculados em programas de formação profissional, segundo o Censo Escolar da Educação Básica de 2017. Em países mais desenvolvidos como Alemanha, Dinamarca, França, Portugal, que apostam neste tipo de ensino, essa participação excedia os 50%, em 2015, conforme o Centro Europeu de Desenvolvimento da Formação Profissional (Cedefop). Na Áustria e na Finlândia, por exemplo, o percentual de jovens que cursam ensino vocacional era cerca de 70%.
Indústria 4.0
A 4ª Revolução Industrial, também chamada de Indústria 4.0 trará a integração do mundo físico e virtual, por meio de tecnologias digitais, e muitos impactos no mercado de trabalho. Engenheiro de cibersegurança, técnico em informação e automação, mecânico de veículos híbridos e projetista para tecnologias 3D são algumas das novas profissões que devem surgir e se consolidar no mercado nos próximos cinco a dez anos, de acordo com o SENAI. A previsão é que surjam 30 novas ocupações em oito áreas.
A professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB), Débora Barem, destaca que é necessário acompanhar a multidisciplinaridade trazida pelas inovações tecnológicas. Segundo Débora, a melhor maneira de adaptar os jovens ao novo cenário do mercado de trabalho é integrar teoria e prática, por meio do ensino técnico.
“O curso técnico ajuda o indivíduo a entender que não pode ficar só na teoria. Vai aprender fazer, pegar numa máquina, construir, construir habilidade técnica. São investimentos a curto prazo. Em cinco, dez anos, será possível mudar a realidade do país”, destaca.
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