Saúde - undefined·06 de abril de 2018

RIO GRANDE DO SUL: Estado tem a segunda maior taxa de abandono de tratamento do país

Por Agência do Rádio
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O Rio Grande do Sul é motivo de orgulho para os gaúchos. Ou alguém aí conhece um que fala mal da região? Mas quando assunto é Tuberculose, a imagem do estado não é nada boa! Só pra começar, está em quarto lugar no ranking dos estados com o maior número de casos novos de Tuberculose. É o décimo com o maior número de mortes e o segundo com a maior taxa de abandono do tratamento! Os dados são preocupantes para a população,como conta a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose da região, a pneumologista Carla Jarczewski.

“A situação aqui no Rio Grande do Sul ela não é confortável. Nós temos uma taxa de cura que é baixa e temos taxas de abandono que também nos desagradam bastante, que estão acima dos 5% preconizados pela OMS”.

Além de ultrapassar a recomendação da Organização Mundial de Saúde, a OMS, os números também sobrepõem a taxa nacional, que é de 9,6%. O índice de pessoas que abandonam o tratamento da Tuberculose no estado ultrapassa 12%. A coordenadora Carla Jarczewski aponta alguns fatores que fazem a taxa de abandono ser alta:

“O que nós temos hoje aqui no estado ainda são unidades especificas pra esse tratamento da Tuberculose que muitas vezes ela fica longe dos pacientes de onde ele vive, onde ele trabalha dificultando o acesso tanto ao diagnóstico quanto pra seguir esse acompanhamento, e fazer esse tratamento diretamente observado. Outra situação bastante complexa que temos é o aumento das pessoas em situação de rua. Os pacientes não têm vínculo e fica muito difícil manter um tratamento por seis meses. Essas pessoas têm realmente muita dificuldade em concluir o tratamento e abandonam.”

Mas não é só quem mora longe da unidade de saúde, ou quem mora na rua que abandona o tratamento. O cabeleireiro, Cláudio Moraes de 36 anos, que mora no Partenon, fez essa escolha e não teve um bom resultado. A história começou assim:

“Febre, dor no corpo, estava magro...Aí me deram o diagnóstico: Tuberculose. Bah! Até me assustei, mas de começo eu não dei bola, não estava nem aí. Aí minha mãe até conseguiu uma vaga pra mim  e eu simplesmente desisti, fui embora.”

O problema é que, quando a pessoa abandona o tratamento a bactéria fica mais resistente e a doença pode ficar ainda mais grave. Como explica o pneumologista Roberto Targa.

“ Depois de um mês de tratamento, às vezes até um pouco menos, a pessoa não sente mais nada, passa tudo. Mas se para antes de seis meses, volta a ter doença. A doença cresce no pulmão, espalha mais no pulmão e ainda volta a contaminar os outros.”

Pois é. Dito e feito. O Cláudio não terminou o tratamento e começou a sentir muito mal. Desta vez, ele precisou ser encaminhado a um hospital especializado, o Hospital do Partenon.

“Minha mãe me trouxe pela segunda vez e aí eu me agarrei, né. Me agarrei com as duas mãos. Eu estava morrendo.Não precisava nem tirar raio-X, porque eu só estava pele e osso. Não conseguia nem caminhar. E nessa segunda vez eu vi que é necessário cumprir os seis meses.”

O Cláudio agora já está curado, trabalhando e vivendo tranquilamente aí no bairro do Paternon, em Porto Alegre. Mas você precisa ficar ligado! Tossiu por mais de três semanas, está suando demais a noite, perdendo peso? Corre pra unidade de saúde mais próxima! Se cuide e ajude a deixar essa história no passado. Para mais informações acesse saude.gov.br.

#TBtemCura
 

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