Você sabia que neste dia 1º de dezembro é comemorado os 30 anos do dia Mundial de Luta Contra a AIDS? Foram inúmeros os avanços que tivemos nesse assunto. Quem sabe bem disso é o arquiteto José Hélio, de 68 anos, morador de Porto Alegre. Ele conta que foi diagnosticado com o vírus HIV aos 38 anos, quando os estudos sobre a doença ainda estavam na fase inicial. Ele conta que, naquela época, o tratamento ainda era rudimentar. A rede pública não disponibilizava remédios. Quem quisesse tratamento tinha que importar os medicamentos a preços exorbitantes. E a falta de informação sobre a doença causava um preconceito enorme entre os brasileiros.
“Houve uma época que eu tinha... Que talheres eram só meus. Xícara e copo eram só meus, prato só meu. Porque ninguém sabia o que era. O problema do preconceito, né? E estigma. Que é o que mais nos mata ainda hoje. Passados... já estamos entrando na quarta década e ainda continua esse estigma e esse preconceito.”
Ainda bem que hoje muito já se sabe sobre o assunto. E o tratamento, além de gratuito, é super eficaz, fazendo com que os pacientes possam viver uma vida com qualidade e com risco muito baixo de transmissão do vírus. Mas ainda assim, a discriminação existe. A desinformação sobre a aids é um dos maiores problemas que temos que enfrentar. E não só em relação ao preconceito, como explica a doutora Maria Letícia, coordenadora Adjunta do Programa Estadual de Combate à Aids. Para ela, ainda é baixo o número de pessoas que realizam exames para checar se a saúde está em dia.
“Eu considero muito baixo ainda, tendo em vista a quantidade de diagnósticos tardios que a gente tem observado. A gente sabe que um diagnóstico é tardio quando a gente avalia o primeiro CD4, a primeira contagem de linfócitos de CD4, que é o espelho que representa a defesa. Quando a gente vê a contagem a gente sabe que o diagnóstico está tardio. Nossa média de diagnóstico tem sido, ainda, de CD4 abaixo de 300. O primeiro da vida da pessoa. Então isso indica que as pessoas estão se testando tarde.”
Ela comenta que, pessoas que se colocam em situação de risco, como ter relações sexuais sem proteção, devem fazer os exames de checagem porque, quanto antes o diagnóstico é feito, menor a chance do paciente com HIV desenvolver a aids, que é o estágio quando a pessoa adoece. Por isso, fique atento. Faça o teste em uma unidade de saúde. Além de gratuito, o exame é rápido e o resultado sai logo em seguida. Use sempre camisinha, conheça as outras formas de prevenção combinada no SUS e proteja-se. 30 anos do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br.