Saúde - undefined·07 de dezembro de 2018

RIO DE JANEIRO: Ela decidiu acolher iguais a ela

Por Agência do Rádio
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Há 30 anos, o mundo decidiu dar as mãos para lutar contra a Aids. Uma doença que, na década de 1980, era marcada pelo medo e pela falta de informação. Hoje é um assunto falado abertamente em rodas de conversas e palestras educativas. E é por isso, que no dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids, o Brasil celebra avanços e inovações. Na Região Norte do Rio de Janeiro, Rafaela Queiroz, psicóloga de 27 anos, faz parte dessa história de conquistas. A jovem, que vive com HIV por transmissão vertical, quando a criança é infectada pela mãe durante o parto ou amamentação, descobriu a sorologia com apenas dois anos de idade.

“A minha sorologia foi descoberta quando o meu pai adoeceu. Foi feita a investigação, só que naquela época, por ele ser hetero, tinha uma demora maior, porque ainda acreditavam que era uma doença que afetava só os homossexuais. Logo depois disso, ele veio a falecer por conta do HIV. Naquela época não tinha medicamento, e aí eu só fiquei acompanhando mesmo no hospital referente aqui no Rio de Janeiro junto com a minha mãe, mas logo depois ela veio a falecer também.”

Rafaela perdeu os pais em 1994, dois anos antes dos antirretrovirais serem distribuídos na rede pública. Mas, aos quatro anos de idade, felizmente começou a fazer o tratamento pelo SUS. A criança, que foi crescendo sem entender o motivo de tomar remédio todos os dias, se interessou em buscar informações sobre a doença quando começou a adolescência. Foi durante um encontro que um hospital no Rio de Janeiro fez com pessoas que vivem com HIV, que Rafaela aprendeu a encarar não só a vida, mas o vírus.

“Lá eu tive o impacto do que o HIV afetava. As pessoas falavam das discriminações que tinham sofrido, os jovens falavam de escolas e relacionamentos, e aí eu senti o “bum” do que era viver com HIV.”

Motivo de tristeza? Não! Pelo contrário, Rafaela se formou em psicologia e atualmente faz parte do acolhimento das pessoas que recebem o diagnóstico de HIV positivo. A intenção dela, desde que descobriu mais sobre o vírus, é mostrar como é possível viver com HIV sem perder qualidade de vida. Agora, com os avanços em tratamentos e prevenções, a psicóloga acredita que os finais das histórias podem ser diferentes das que os pais tiveram e, por isso, incentiva a testagem.

“A importância é saber sobre a sua sorologia, sendo ela positiva ou negativa. Sendo positiva, o melhor é começar o quanto antes, e o Ministério da Saúde já apontou sobre isso, que não só é importante pra qualidade de vida, pois você não tem tanto dano a sua imunidade e, consequentemente, você fica mais fortalecido para uma doença oportunista que vier aparecer.”

É essencial que se faça testes regularmente principalmente se houve relação sexual sem proteção ou passou por alguma situação de risco. Temos que estar sempre em dia com a nossa saúde. Use camisinha e conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS. Proteja-se. Trinta anos do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br. Ministério da Saúde, Governo Federal.
 

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