Economia - undefined·30 de novembro de 2017

RIO: Cresce número de aposentados após anúncio da reforma da Previdência

<p>Gastos com inativos em 2016 chegaram a R$ 15,3 bi</p>

Por Agência do Rádio
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Por Jalila Arabi

O número de pessoas no Rio de Janeiro que buscam a aposentadoria aumentou depois do anúncio da reforma da Previdência, em dezembro de 2016. Segundo dados da Secretaria de Previdência Social do estado, divulgados pelo jornal Extra, o número de interessados no benefício cresceu mais de 20% do ano passado para cá. Em 2016, foram concedidas 76,8 mil aposentadorias contra 92,5 mil nesse ano.

Número de servidores no RJ procurando aposentadoria cresceu depois do anúncio da reformaEm nota enviada à Agência do Rádio, o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência), antigo Instituto de Previdência (Iperj), admite haver déficit na previdência estadual. “A situação é ruim como todos já sabem”, informa a nota, que afirma que o rombo fica em torno de R$ 12 bilhões. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os gastos com inativos no estado em 2016 ultrapassaram os R$ 15 bilhões.

“Hoje, o principal gasto do Governo Federal é com previdência. Isso acontece porque o brasileiro mudou muito a condição de vida, a qualidade de vida. O brasileiro está vivendo muito mais tempo do que na época em que as regras [de previdência] foram formadas”, acredita o especialista em finanças Marcos Melo. Em pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa cresceu 16,0% em relação a 2012, com quase 30 milhões de pessoas acima dos 60 anos de idade. A parcela de crianças com até nove anos de idade caiu de 14,1% para 12,9% nesse mesmo período.

ÁUDIO: baixe a versão desta notícia para emissoras de rádio

MAIS: "Existe rombo e ele é gritante", afirma especialista sobre previdência

De acordo com o comunicado da Rioprevidência, “houve uma evolução na expectativa de vida dos brasileiros. Hoje temos acesso à saúde e alimentação que não tínhamos há cinquenta anos, por exemplo. Essa extensão da expectativa de vida é muito boa, porque vivemos mais. Mas também gera despesas. Dessa forma, é preciso que a idade mínima para a aposentadoria acompanhe a expectativa de vida.”

Recuperação fiscal
Para tentar conter o rombo no setor, o estado adotou como medida a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) da União. O Regime foi aprovado pela Lei Complementar 159, de 2017, e tem como objetivo fornecer aos estados com grave desequilíbrio financeiro instrumentos para auxiliar no ajuste das contas. Isso acontece quando a receita corrente líquida (RCL) anual do estado é menor do que a dívida consolidada ao final do último exercício. Dados do Ipea mostraram que, em 2015, o montante da RCL do Rio para pagar aposentados e pensionistas chegou a quase 20%. Rio estava junto com São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul respondendo por 62% de todo o déficit previdenciário nacional.

“A reforma da previdência não é só necessária, ela é fundamental para o equilíbrio das contas públicas”, diz o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) César Bergo. A reforma deve ser votada no início de dezembro e o texto mais enxuto foi apresentado à bancada governista na última semana. A instituição de uma idade mínima para aposentadoria entra como o carro-chefe da reforma, que quer atingir o teto de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres em 20 anos.

“O Brasil é um dos poucos países que não tem idade mínima para efeito de aposentadoria. Portanto, introduzir essa idade mínima universal, para todos, é um passo muito importante numa reforma”, defende o economista e ex-ministro de Previdência Social José Cechin. Pela nota da Rioprevidência, a autarquia também se mostrou favorável à reforma, pois “hoje estamos vivendo um problema estrutural. Concedemos e pagamos benefícios previdenciários semelhantes aos de países desenvolvidos, o que está além da nossa capacidade.”

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