O governo federal intensificou, nos últimos três dias, as articulações para tentar aprovar até o final do ano, o texto da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.
Depois do presidente Temer ter dito, na segunda-feira (6), que a proposta poderia não sair do papel, ministros, como Henrique Meirelles, da Fazenda e Alexandre Padilha, da Casa Civil, vieram a público defender a análise da reforma. O mesmo movimento foi feito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Diante do cenário, o relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), afirmou a jornalistas, nesta quarta-feira (8), que o governo buscará um entendimento, inclusive fazendo concessões, para que a proposta possa ser levada a votação.
“Decidimos que haverá uma conversa com os líderes partidários para ver entre os lideres quais são os pontos que podem ser aproveitados na PEC, o que de fato, representa o núcleo duro da PEC para que possamos, de fato, dar ao Brasil uma condição macroeconômica extremamente importante que é uma reforma da Previdência.”
A reunião entre governo e lideranças partidárias deve ocorrer na manhã desta quinta-feira (9). Segundo Arthur Maia, as modificações na proposta devem nascer a partir de encontros como esses. No entanto, o parlamentar afirma que já existe consenso para determinados pontos da Reforma.
“Há um consenso em torno da questão da idade mínima. É obvio que não faz nenhum sentido fazermos uma reforma da Previdência senão modificarmos essa condição absurda que existe no Brasil. Essa ideia de que é possível uma pessoa se aposentar, não por uma idade mínima, mas por um determinado tempo de contribuição. Isso é absurdo. Isso tem proporcionado que pessoas com menos de 50 anos, até, consigam se aposentar. Não há Previdência que possa suportar uma condição como essa.”
De acordo com Arthur Maia, o déficit per capita da Previdência dos servidores públicos é de R$ 58 mil, enquanto no INSS esse número cai para R$ 3,2 mil. Segundo o relator da reforma, a proposta precisa corrigir esse tipo de disparidade.
De Brasília, João Paulo Machado