O relator da segunda denúncia contra o presidente Temer na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados, deputado Bonifácio de Andrada, do PSDB mineiro, disse nesta quarta-feira (4), que ele e sua equipe estão trabalhando para terminar o relatório antes do prazo estipulado pelo regimento da CCJ, ou seja, de cinco sessões.
Ele conta que está debruçado sobre o assunto para que o parecer esteja disponível para análise na comissão já na próxima semana.
A tendência é essa. Que seja na semana que vem. Minhas forças as maiores possíveis. São mil páginas. Só mil páginas da denúncia e, agora, está chegando a defesa que deve ser mais umas quinhentas páginas. Eu tenho que ter uma equipe muito boa para resumir para mim os fatos todos, para eu poder analisar e chegar às conclusões, que eu acho que deva ocorrer.
A escolha de Bonifácio Andrada como relator da denúncia contra o presidente Temer gerou descontentamento de parte da bancada tucana na Câmara.
O líder do partido na Casa, deputado Ricardo Trípoli, de São Paulo, cogita em tirar Bonifácio da CCJ para obrigar o presidente da comissão, Rodrigo Pacheco, do PMDB de Minas Gerais, escolher outro nome para a relatoria da denúncia.
Outra possibilidade discutida nos bastidores da Câmara é a possibilidade do relator pedir licença do partido para ficar livre para apreciar a denúncia.
Bonifácio de Andrada nega estar sendo pressionado pelo PSDB a desistir da relatoria. Ele afirma que tem um compromisso com o presidente da CCJ e só deixará a relatoria do processo contra Temer se Rodrigo Pacheco assim quiser.
Não sei de pressão nenhuma não. O que eu conheço aqui é o meu diálogo com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça. Eu estou com o presidente da comissão. O que ele fizer estou de acordo. Se quiser achar que eu continuo, eu continuo. Se quiser que eu me afasto, eu me afasto.
O presidente Temer foi denunciado pela Procuradoria Geral da República pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça.
Além de Temer foram denunciados os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco da Secretaria Geral da Presidência.
Eles são acusados de ter liderado um esquema que pode ter pago mais de 580 milhões de reais em propina, no caso JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Após ser analisada na CCJ, a denúncia precisa ser votada no Plenário da Câmara.
De Brasília, Cristiano Carlos