Internacional - undefined·12 de fevereiro de 2019

Reino Unido vive incertezas econômicas às vésperas do Brexit

Saída britânica da União Europeia está marcada para 29 de março; primeira-ministra tenta convencer parlamentares a aderirem ao acordo

Por Thiago Marcolini
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O dia 29 de março será determinante no rumo que a economia britânica seguirá neste século. Esta é a data final para que o Reino Unido deixe de fazer parte da União Europeia (UE). A principal questão hoje que divide opiniões no país é de como se dará essa saída, com ou sem acordo com o bloco econômico.

No fim de janeiro, o Parlamento britânico rejeitou a proposta que possibilitava de saída da União Europeia sem acordo. Com votação apertada, por 318 a 310 votos, os parlamentares entenderam que o Reino Unido precisa de um acordo de retirada e de uma série de parâmetros para o relacionamento futuro com o bloco.

Na avaliação do professor de economia internacional da PUC do Paraná, Mássimo Justina, o Brexit não seria o fator principal para a derrocada da economia britânica.

“Não haveria perigo de recessão por conta do Brexit. A economia internacional está numa fase descendente, a gente está esperando que talvez ocorra uma correção dos ativos para os próximos anos, até uma crise financeira na metade do ano que vem. Então, nesse caso, seria mais uma tendência global e menos um fator específico do Brexit”, ressalta o professor.

Uma das principais dúvidas de especialistas e da imprensa tem relação com a prática de livre mercado adotada pelos britânicos com o resto da Europa. Na semana passada, o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, anunciou que a instituição cortou sua previsão de crescimento e que a economia do Reino Unido pode entrar em recessão com as incertezas do Brexit.

Para o professor Mássimo Justina, mesmo com a saída do bloco, a capital inglesa continuará sendo vista como referência financeira para o mercado europeu.

“Com relação a aspectos puramente financeiros, Londres provavelmente continuará sendo um magneto para as finanças internacionais, um dos grandes centros financeiros como tem sido nos últimos quase 250 anos, como compra de títulos públicos, ações. Londres perderia um pouco a sua posição de referência internacional, talvez mais para Frankfurt, mas continuaria sendo uma referência para a bolsa de valores, mercado financeiro e de capitais”, afirma.

Outro tema indefinido diz respeito à fronteira entre a Irlanda, país independente e membro da União Europeia, e a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido. O Parlamento britânico aprovou uma emenda que prevê que a Irlanda do Norte continue sujeita a algumas regras de fronteira da União Europeia, uma forma de dispensar a necessidade de checagem de alguns produtos na fronteira com o país vizinho.

A partir do dia 29 de março, data do Brexit, a fronteira entre as Irlandas passará a ser a fronteira física entre União Europeia e Reino Unido. Em 1998, um acordo de paz pôs fim a três décadas de conflito entre os países fronteiriços.

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SOBRE

Thiago Marcolini

Jornalista formado há quatro anos, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Trabalhou na cobertura da Copa do Mundo 2014 e nas duas últimas eleições presidenciais. Antes de ingressar na equipe do Brasil61, passou pela Band News FM, Agência Brasília, além de ter trabalhado também com comunicação corporativa.

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