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LOC.: O Produto Interno Bruto, o PIB brasileiro, pode sofrer uma queda de 0,7% caso o Congresso Nacional aprove a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O percentual representa uma perda estimada de quase 77 bilhões de reais para a economia do país. Os dados fazem parte de um levantamento inédito divulgado pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI.
Segundo o estudo, a indústria deve ser o setor mais impactado, com retração de 1,2% no PIB — o equivalente a 25 bilhões e 400 milhões de reais.
O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica que esse impacto maior se deve ao fato de a indústria concentrar uma parcela significativa dos empregos formais, que tendem a ser os mais afetados pela redução da jornada de trabalho.
TEC./SONORA: Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI
“Além disso, a indústria é um setor mais integrado; há muitos encadeamentos entre os diferentes setores industriais. Então, os efeitos dessa elevação de custos vão se acumulando [ao longo da cadeia de produção]. E, por fim, a indústria é um setor mais sujeito à competição internacional e, por isso, um aumento de custos e a consequente perda de competitividade afetam mais a indústria.”
LOC.: O estudo também indica que a redução das horas trabalhadas tende a elevar o custo do trabalho necessário para manter os níveis atuais de produção. Como resultado, pode haver aumento generalizado de preços ao longo da cadeia produtiva. Esse efeito atingiria desde insumos e matérias-primas na cadeia de produção até bens e serviços destinados ao consumidor final.
Marcelo Azevedo afirma que o aumento dos custos do trabalho tende a reduzir a competitividade da economia nacional.
TEC./SONORA: Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI
“Essa perda de competitividade dos produtos nacionais faz com que haja mais importações e menos exportações. Isso se traduz em redução da produção e da renda e, consequentemente, em queda do PIB.”
LOC.: A CNI acompanha as propostas em tramitação no Congresso Nacional que tratam da redução da jornada e defende a ampliação do debate técnico sobre o tema.
Segundo Azevedo, a medida pode gerar impactos diferentes entre consumidores, empresas de diferentes portes, regiões e setores da economia. Por isso, ele avalia que o avanço da discussão deve ser acompanhado da elaboração de medidas que reduzam possíveis efeitos negativos e garantam uma transição gradual, o que exige mais tempo para o aprofundamento das análises técnicas.
Reportagem, Paloma Custódio