Manter a preservação de matas e atuar na recuperação de mananciais é um dos principais desafios enfrentados por instituições que trabalham com a proteção da natureza. Um dos projetos que produz ações com esse intuito é Programa Produtor de Água.
Desenvolvido pela Agência Nacional de Águas (ANA), o programa pretende incentivar a proteção hídrica no país por meio de incentivos financeiros. O objetivo é preservar as águas de importantes bacias hidrográficas do Brasil.
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Uma parte do projeto é feita no Distrito Federal. A primeira bacia da região a receber auxílio dos envolvidos é a do rio Pipiripau, localizada no nordeste do DF.
Com uma propriedade às margens do rio, o produtor rural Raimundo Rocha, de 56 anos, já participa do programa. Ele conta que o mais importante do projeto é a orientação e assistência técnica que o produtor passa a receber. De acordo com Raimundo, o retorno é garantido.
“Nós investimos na recuperação da mata ciliar, fizemos plantio de mudas que contribuíam para a retenção da água na terra. Hoje a gente já ver o resultado. E que resultado é esse? É o ganho realmente no microclima, o retorno de animais e o principal, que é a retenção da água da chuva, criando um grande bolsão. E esse aquífero, praticamente, vai ser o grande fornecedor do manancial.”
Além do empenho dos produtores, Raimundo acredita o programa será mais eficiente com uma colaboração maior da sociedade em geral.
“A sociedade precisa entender melhor esse projeto, porque a responsabilidade precisa ser compartilhada. Não é só o proprietário rural que tem que assumir esse custo.”
O incentivo financeiro recebido pelos produtores é distribuído da seguinte forma: Se a modalidade for conservação do solo, será pago um valor entre R$ 43,10 e R$ 114,92 por ano, para cada hectare. Já no caso de restauração de Áreas de Preservação Permanente (APP), o valor passa a ser entre R$ 129,28 e R$ 229,84. Por outro lado, se a adesão for à conservação de remanescentes de vegetação nativa, o valor será de 344,76 por hectare, ao ano.
Uma das instituições que está à frente do Produtor de Água é a The NatureConservancy (TNC) - organização internacional, especializada na conservação da biodiversidade e do meio ambiente. Lícia Azevedo, que trabalha na área de estratégia de conservação da ONG, explica de que forma a preservação da mata na beira dos rios pode ajudar a melhorar a qualidade do solo.
“O papel dela [mata] é muito importante, principalmente porque ela forma uma barreira e evita com que sedimentos caiam para o rio. Além disso, essa vegetação também permite que a chuva infiltre no solo, mantendo que aquela água fique armazenada e nos períodos secos, abasteça os rios.”
O assunto será destaque no 8° Fórum Mundial da Água, considerado um dos maiores eventos do planeta. Os encontros, que vão acontecer em Brasília, do dia 18 a 23 de março, contarão com a presença dos principais especialistas envolvidos com a questão da água no mundo.
Com a colaboração de Marquezan Araújo, reportagem, Raphael Costa
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