Maranhão é o estado com o pior índice de expectativa de vida do País. Segundo dados do IBGE, divulgados na última semana, os maranhenses são os que vivem menos no Brasil. Em 2014, a expectativa de vida era de 70 anos. Em 2016, subiu para 70,6 anos.
O segundo estado com menor expectativa de vida nacional é o Piauí, com 71,1. Na região Nordeste, o estado com a maior expectativa é o Rio Grande do Norte, com 75,7 anos.
Apesar do crescimento do índice ainda lento no Maranhão, a população de pessoas com 60 anos ou mais vem aumentando. Em 2014, eram 734 mil. Em 2016, o número pulou para 802 mil. As mulheres são maioria, sendo 379 mil nessa faixa etária. Para o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Bruno Ottoni, o aumento na expectativa de vida pode se tornar um problema se a situação previdenciária não for resolvida.
“À medida que o País for envelhecendo, a tendência é que a situação [da previdência] se torne calamitosa. Realmente, o Governo Federal vai ter muita dificuldade em fechar suas contas.”
No maranhão, os gastos com aposentados passaram de 900 milhões de reais em 2006 para dois bilhões no ano passado. Bruno Ottoni acredita que as despesas com esse benefício são muito altas no País.
“Nossa previdência hoje consome uma quantidade absurda de recursos do Governo e nós ainda somos um País jovem. A nossa transição demográfica será muito acelerada. O que a França fez em 100 anos, e alguns outros países europeus também fizeram em muitos anos em termos de transição demográfica ou velocidade de envelhecimento, nós faremos em 20 anos. Então, daqui a 20 ou 30 anos, o Brasil vai ser um país relativamente velho.”
A previsão era de que o governo colocasse em pauta ainda neste ano a reforma da Previdência, mas segue em busca dos 308 votos favoráveis para a aprovação.
Reportagem, Jalila Arabi.