A participação dos beneficiários de aposentadorias e pensões cresceu seis pontos percentuais entre 1992 e 2015. Esse crescimento tem relação com o aumento no número de idosos no Brasil, que foi de 16% em quatro anos. A conclusão é do estudo do Ipea, que traz outros dados sobre o envelhecimento da população e a aposentadoria no País.
Na região Sudeste, por exemplo, a proporção de beneficiários de aposentadoria e pensões em relação à população total em 1992 era de 9,1%. Em 2015, passou para 15%. O número de aposentados com menos de 60 anos se manteve estável nesse mesmo período, com 3,4% da população, mas o número geral do País subiu de 2,8% para 3,3%.
Segundo o estudo, no ano passado, a idade média de aposentadoria no País foi de 54 anos. O coordenador de Previdência Social do Ipea e autor da pesquisa, Rogério Nagamine, diz que a aposentadoria precoce é componente regressivo para o setor.
“O problema maior é uma distorção que eu acho conceitual, que é, na verdade, você estar pagando um benefício de aposentadoria para pessoas que estão em plena capacidade laboral e que, muitas vezes, continuam trabalhando.”
O pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Fernando de Holanda Filho critica o atual sistema e defende uma mudança.
“A gente tem uma regra que permite as pessoas se aposentarem muito cedo com benefícios muito elevados.”
A discussão em torno da reforma da Previdência ficou para fevereiro do ano que vem. Uma das saídas para conter o rombo, segundo o Governo, é instituir idade mínima para aposentadoria. No Rio de Janeiro, de acordo com a Rioprevidencia, o déficit no estado deve chegar a 12 bilhões de reais neste ano.
Reportagem, Jalila Arabi.