Em 2027, o estado de São Paulo deverá arcar com um déficit previdenciário de 36 bilhões de reais. Pelo menos é o que estima a SP Prevcom, Fundação de Previdência Complementar do estado. Neste ano, a expectativa de rombo no setor é de 17 bilhões de reais. O presidente da SP Prevcom, Carlos Henrique Flory, confirma a informação.
“Há uma insuficiência de recursos para cobrir a folha dos servidores. A soma das contribuições [a dos servidores e a patronal] não é suficiente para pagar os benefícios.”
Flory explica que o estado tem tomado algumas medidas para tentar conter o rombo. Entre elas, está a da criação de um órgão gestor único para o Regime Próprio da Previdência Social, para que o estado controle melhor os benefícios pagos e os irregulares. A outra saída é a previdência complementar, comandada pela SP Prevcom. O presidente acredita que outra medida é a instituição da idade mínima para aposentadoria, prevista pelo Governo Federal.
“Para conter esse quadro, não tem outra forma a não ser essa reforma da Previdência.”
Em pesquisa divulgada recentemente pelo IBGE, os dados mostraram que a população de idosos cresceu 16% de 2012 para 2016. Atualmente, o Brasil tem 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Carlos Henrique Flory explica que a questão da idade mínima para aposentadoria não deve ser considerada a partir do nascimento.
“O povo, em geral, talvez tenha uma ideia falsa da idade mínima. A expectativa de vida não é a de vida ao nascer, é a expectativa de sobrevida quando ele aposenta.”
Em 2015, a expectativa de sobrevida da população aos 65 anos era de 18 anos. E a proposta da reforma da Previdência, que deve ser votada ainda no início de dezembro, prevê idade mínima para aposentadoria aos 65 para os homens e 62 para as mulheres, até 2038.
Reportagem, Jalila Arabi.