Situada em um estado onde o nível de empregabilidade ainda mostra sinais de fragilidade, São José do Rio Preto vive um drama de desemprego, sobretudo no setor da Construção Civil.
Segundo dados que constam no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, foram admitidos 5.595 trabalhadores, enquanto 6.363 foram mandados embora entre maio de 2017 e abril deste ano. Um saldo de 768 vagas fechadas, o que corresponde a uma variação de 9,07%.
Sócio proprietário da empresa Bortoli Engenharia, com sede em São José do Rio Preto, o empresário Sérgio Valente diz que está sentindo na pele a crise que afeta o setor da Construção Civil. Ele conta que, atualmente, a empresa tem 45 empregados, mas não há nenhuma perspectiva de melhora nos negócios que amplie o grau de contratações.
“Na minha avaliação, a coisa está indo de mal a pior. Foi o pior período que eu passei até agora e a gente não vê perspectiva de mudança. Isso é o que está gerando maior desconforto para a gente. Nesse período agora, nós demos essa estagnada e a gente teve que fazer algumas demissões.”
O economista e professor da PUC-SP Antônio Carlos Alves destaca que o momento é delicado, e como se trata de um ano eleitoral, nada está definido para a economia dos municípios paulistas.
“Somado à incerteza, em relação a quem vai ser o novo presidente, portanto, qual política econômica será adotada, todos esses fatores convergem em uma instabilidade, nas decisões de investimentos por parte dos empresários, em particular as decisões de investimento na Construção Civil. Mas se pegarmos os dados, por exemplo, da indústria, eles também não são animadores.”
Faltando menos de quatro meses para as eleições, os discursos dos pré-candidatos à Presidência da República se voltam para soluções de combate ao desemprego. No caso do número significativo de demissões no setor da Construção Civil, Ciro Gomes, do PDT, faz menção à São José do Rio Preto e apresenta a cidade como possível polo de apoio a outras regiões próximas.
“Você tem muitas obras paradas, descontinuadas e, isso faz com que a capacidade de crescimento de São José do Rio Preto reduza-se aí para menos de 1% ao ano, em uma hora que, evidentemente, as coisas estão muito piores pelo Brasil afora. Mas, isso demonstra claramente que, se não fosse esse constrangimento, essa estupidez de política econômica do Brasil, São José do Rio Preto poderia estar ajudando muito mais a São Paulo e ao Brasil do que tem sido capaz de fazer até o presente momento.”
Ainda segundo Ciro, os impostos sobre os trabalhadores precisam ser menores, já que eles pagam “uma carga tributária absolutamente selvagem”. O presidenciável também criticou a cobrança sobre o consumo, alegando que a medida é injusta e perversa com os mais pobres.
Outro presidenciável que comentou sobre o assunto foi Manuela D’Ávila, do PC do B. Nas redes sociais, a pré-candidata ao Planalto também tem demonstrado preocupação ao falar da empregabilidade no país. De acordo com ela, o cidadão não tem que se culpar pelo drama atual que vive o Brasil.
“Porque quando diz que o desemprego está caindo e vocês, o seu pai, o seu irmão, o seu vizinho não conseguem emprego, isso gera em cada um de vocês a sensação de que a responsabilidade de não conseguir enfrentar a crise é de vocês.”
Em São José do Rio Preto, um dos setores que apresentou variação positiva, de acordo com o Caged, foi o de Serviços. A melhora nos números do mercado de trabalho no município foram impulsionados pelo segmento, que gerou mais de 1.500 vagas de emprego em 2018. Somente em abril, foram 364 postos de trabalho criados.
Reportagem, Marquezan Araújo