Pouco mais de 45% do rendimento de aposentadorias em 2015 foram apropriados pelos 10% mais ricos da população com menos de 60 anos de idade. Enquanto isso, 39,1% desse rendimento ficava com idosos a partir dos 60. A informação é do Ipea, que divulgou um estudo recentemente falando sobre o fenômeno da aposentadoria precoce no Brasil.
De acordo com os dados, levando em consideração o benefício pago aos 30% mais ricos da população, as pessoas com menos de 60 anos correspondem à maior parcela. O coordenador de Previdência Social do Ipea e autor do estudo, Rogério Nagamine, comenta a informação.
“O problema maior é uma distorção que eu acho conceitual, que é, na verdade, você estar pagando um benefício de aposentadoria para pessoas que estão em plena capacidade laboral e que, muitas vezes, continuam trabalhando.”
O número de beneficiários com menos de 60 anos na região Sudeste se manteve estável na comparação entre 1992 e 2015, com 3,4% do total da população. Foi o número de idosos com 60 anos ou mais que cresceu em São Paulo. Passou de seis milhões e trezentos mil em 2012 para quase sete milhões no ano passado. De acordo com o IBGE, a população nessa faixa etária cresceu 16% em quatro anos no Brasil. Para o especialista em finanças Marcos Melo, o dado é positivo, mas é preciso ficar atento ao envelhecimento da população.
“Isso é um ponto muito positivo, porque isso foi uma conquista social, conquista do povo brasileiro em conseguir ter uma expectativa de vida maior. Para se ter ideia, em 1940 a expectativa de vida era de 45,5 anos, aproximadamente. Um dos fatores que causam esse desequilíbrio da previdência é um dado muito positivo, que é o aumento da expectativa de vida do brasileiro.”
Segundo a Fundação de Previdência Complementar do estado de São Paulo, o rombo para este ano deve ser de 17 bilhões de reais, podendo chegar a 36 bilhões em 2027.
Reportagem, Jalila Arabi.