A organização não-governamental “Médicos Sem Fronteiras” ganhou um novo doador especial em 2018. O estudante João Matheus, de 18 anos, está terminando o ensino médio e participou de um projeto diferente nas disciplinas de Sociologia e Filosofia da escola SESI do bairro Aleixo, aqui em Manaus.
O professor responsável pelas matérias deu um desafio para todos os estudantes no qual eles precisavam fazer um “Portfólio de Cidadania”. Funciona assim: cada estudante precisaria realizar três ações sociais da escolha deles.
As três de João Matheus foram: uma em dupla com um colega, em que eles realizaram uma programação especial para uma comunidade de baixa renda na cidade. Outra em que um grupo da turma visitou um abrigo de animais e eles levaram ração e materiais de limpeza para cuidar do local.
Por fim, a ação individual: uma doação mensal que ele fará à organização “Médicos Sem Fronteiras”, que oferece ajuda médica e humanitária a comunidades que estão em situações de emergência. O estudante está realizado com o projeto.
“Foi importante porque a gente se tornou mais humanos. Praticar cidadania não é só fazer os nossos deveres, é também fazer mais pelos outros. Buscar melhorias não só para a gente, mas sim pensar no coletivo, na sociedade e no próximo. ”
O idealizador do “Portfólio de Cidadania” foi o professor Sandro Alves. Ele decidiu incluir nas aulas não só conteúdo teórico de Filosofia e Sociologia, mas também despertar nos alunos o interesse pela vida de outras pessoas e o cuidado com a comunidade.
“Um dos motivos que levaram a criação do projeto foi a questão da realidade que nós vivemos hoje na sociedade. Uma sociedade onde não se vê muito as ações de cidadania praticadas por seus cidadãos. Sabendo essa realidade e trabalhando na formação de novos cidadãos, a gente teve essa ideia de desafiar os alunos a não só aprender teoricamente o que é, mas praticar cidadania. ”
O projeto teve tanto sucesso que foi homenageado no 3º Encontro Nacional do Sistema Estruturado de Ensino da Rede SESI, no final de novembro, em Brasília. O gerente-executivo de Educação do Departamento Nacional SESI, Sérgio Gotti, disse que essa é uma forma de recompensar e estimular os professores a continuarem com projetos inovadores.
“Os nossos professores têm um nível de formação que é superior ao nível de formação dos professores que atuam na rede pública, ou mesmo nas outras redes privadas. É um professor extremamente engajado que tem um uma qualidade de aproximação com o diretor da escola, e isso faz com que o professor tenha um trabalho diferenciado dentro da nossa rede.”
No mesmo encontro, outros 19 projetos de professores de todo o país foram homenageados pelo Serviço Social da Indústria.
Reportagem, Sara Rodrigues