Por Cristiano Carlos
A Escola SESI de Educação Básica Industrial Abelardo Lopes, em Maceió, foi destaque nacional por ter colocado em prática um projeto pedagógico inovador que incentivou os alunos da instituição a criarem um sistema de tratamento de água para evitar a degradação da natureza e o desperdício do recurso descartado pelas indústrias, com atividades práticas e integradas as disciplinas do curriculum escolar.

No Nordeste estão instaladas grande número de indústrias têxtis e os alunos e professores do SESI de Maceió perceberam que parte da água usada no processo de produção de tecidos era descartada na natureza sem tratamento adequado.
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A ideia inicial seria motivar os estudantes a criarem um sistema que pudesse contribuir para o trato do recurso e, ao mesmo tempo, redirecionar a água limpa para reuso das empresas.
Os sistemas de tratamento de resíduos industriais são comuns, mas ainda demandam alto custo de investimento em maquinários e estruturas complexos. Na escola SESI, de Maceió, os estudantes tiveram a missão de reproduzir os sistemas atuais em escala menor e, para isso, usaram a criatividade como força para inovar.
“Existem maquinarias já especializadas que fazem essa simulação que a gente replica em uma escala menor, em aula prática, para mostrar como já acontece e propor algum tipo de solução inovadora que possa, de repente, baratear o custo com o processamento do resíduo e garantir a responsabilidade ambiental da empresa”, conta o professor de Ciências e Biologia, e orientador do projeto, da Escola SESI de Educação Básica Industrial Abelardo Lopes, de Maceió, Evandro Coelho Filho.
Educação STEAM
A pedagogia aplicada no processo de separação de misturas e no tratamento de resíduos industriais da Escola SESI Abelardo Lopes, é resultado da política de educação baseada na realização de programas educacionais integrados, método comum da Educação STEAM, sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, que incentiva os estudantes a praticar as teorias dos livros de forma criativa e lúdica.
A metodologia surgiu nos Estados Unidos para instigar os estudantes a pensar em soluções de problemas práticos, de forma criativa, com uso das novas tecnologias e da internet. O modelo de Educação STEAM já está sendo utilizado nas escolas do SESI.
“A percepção de Ciências da Natureza, que o aluno precisa desenvolver para fazer as provas de seleção nos vestibulares mais diversos que tem por aí, é, realmente, visando essa interdisciplinaridade. A gente traz isso aí como um “plus”, que é a parte da inovação, que é o aprender fazendo. O aluno tem de ser o protagonista”, completa Evandro Coelho Filho.
Encontro Nacional da Rede SESI
O projeto coordenado pelo professor Evandro Coelho Filho foi destaque no Encontro Nacional do Sistema Estruturado de Ensino da Rede SESI, realizado em Brasília. O encontro reúne projetos e experiências bem-sucedidas desenvolvidas pelo modelo de Educação STEAM, em todo país. Em 2017 e 2018, cerca de 40 projetos educacionais desenvolvidos nas escolas SESI foram reconhecidos como práticas inovadoras de educação.
Os selecionados se destacaram porque conseguiram engajar os alunos do SESI nos projetos propostos em sala de aula e, ao mesmo tempo, contribuíram para melhorar o desempenho individual dos estudantes nas disciplinas.
“Os alunos se prepararam, por exemplo, dentro de todos os conceitos de física, cinemática, mecânica, movimentos, movimento retilíneo uniforme, ou seja, toda essa parte de conceito, que às vezes são complexos para a gente poder administrar como professor dentro de sala de aula, e eles trouxeram na prática esse conhecimento e melhoraram muito na aprendizagem. Então, isso para nós é o mais importante”, ressalta o Gerente Executivo do SESI, Sérgio Gotti.
Em Alagoas, o SESI conta com oito unidades em Maceió e uma em Arapiraca. A Rede de Educação oferece ensino básico, do 1º ao 9º, e médio, nas escolas Cambona e Benedito Bentes.