Por Paulo Henrique Gomes
Imagine a quantidade de cálculos e o trabalho que deve ser para construir uma ponte. Será que algum aluno do primeiro ano do ensino médio é capaz de construir tal empreendimento? Sim, eles são capazes. O professor de física André Borges, da unidade do Serviço Social da Indústria (SESI) Jundiaí, em Anápolis, desenvolveu a “Competição de Pontes de Espaguete”.
O objetivo é que os alunos construam pontes de macarrão com as extremidades unidas por cola. A atividade permite que os alunos utilizem os conhecimentos prévios adquiridos no ensino médio, em especial os que fazem referência a física, ciência, matemática e tecnologia. É o que explica o professor André Borges. “Esse projeto parte de uma situação real, que é a confecção de uma ponte, claro que somente uma ponte de macarrão, principalmente para fazer um ensaio descritivo, onde os alunos elaboram no papel, inicialmente, o peso que essa ponte vai aguentar e toda essa parte de estrutura”, afirma.

A competição visa promover a integração entre os alunos e a disputa produtiva entre as equipes, além de estimular a criatividade e pesquisa de soluções para um problema proposto e o aprendizado inicial de uma metodologia de projeto.
Com o material, os alunos aprendem a construir com materiais de fácil utilização e concedidos com quantidade limitada, de modo a promover a conscientização ambiental e percepção da necessidade do planejamento adequado dos recursos. Os estudantes são divididos em grupos de seis pessoas e dividem as tarefas para a construção da maquete. Neste ano, 240 jovens participaram da atividade. As pontes são avaliadas em dois critérios. O primeiro é a estética e a ponte considerada mais bonita é premiada.
O segundo é o peso que suportam. Neste ano, a ponte vencedora sustentou um peso de 47 quilos. O professor André Borges explica alguns critérios que são levados em consideração para análise das estruturas feitas pelos alunos. “A gente mede essa ponte, ela tem um regramento que ela não pode ser menor que um metro de cumprimento e não pode passar de um quilo. Então se ela passar um pouco do peso de um quilo, são descontados alguns pontos. E a gente vai construindo a pontuação para verificar a resistência, qual dessas pontes aguenta mais (peso). A gente vai colocando peso nela até ela quebrar. Dá até um pouco de dó ao final, o trabalho fica bem bacana, mas ela tem que quebrar. Esse ano, a ponte que aguentou mais, ela aguentou 47 quilos, só com um quilo de macarrão e cola”, diz.
Ao final da atividade, os alunos realizam uma apresentação oral e expõem o que foi feito, as dificuldades e os aspectos positivos que tiveram durante a realização do projeto. André Borges destaca o trabalho multidisciplinar realizado pelos alunos durante a construção das maquetes. “É um trabalho com matemática, física e química, que são disciplinas na área de ciências da natureza. E também houve alguns conceitos de engenharia que eu consigo aplicar para os meninos através da física mesmo. Eu também sou engenheiro, então eu consigo misturar um pouco dessa parte de física e da parte de engenharia voltada ao conteúdo que eles conseguem, que eles já têm uma base do ensino médio”, defende.
Premiação
O projeto Competição de Ponte de Espaguete participou do 2º Encontro Nacional do Sistema Estruturado de Ensino da Rede SESI 2017.
Na opinião do Gerente-Executivo do SESI, Sérgio Gotti, o encontro é uma forma de reconhecimento aos professores. “É uma forma de reconhecimento, é uma forma de realmente o SESI, o departamento nacional assim como os departamentos regionais reconhecerem esse trabalho de excelência que eles (os professores) desenvolvem em sala de aula. E que tem gerado um impacto muito grande na aprendizagem dos nossos alunos”.
Na época, o evento reuniu representantes dos Departamentos Regionais de todo o país em São Paulo. Experiências bem-sucedidas desenvolvidas em unidades do SESI em diferentes cidades brasileiras foram expostas durante o evento.