Economia - undefined·11 de junho de 2018

Presidenciáveis falam sobre crise e desemprego nos municípios que vivem da cana

<p>Descoberta do pr&eacute;-sal desestruturou sinaliza&ccedil;&otilde;es do governo para setor, diz especialista</p>

Por Agência do Rádio
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Nas duas últimas safras da cana-de-açúcar, 2016/2017 e 2017/2018, a produção de etanol estabilizou em pouco mais de 27 mil m³ por ano, no país. O estado de São Paulo, maior produtor de etanol do país, registrou produção de pouco mais de 13 mil m³ este ano, praticamente a mesma produção do ano passado, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar, a UNICA.

Além da ociosidade na produção de etanol, o setor sucroalcooleiro sofre com a falta de investimentos nas linhas de produção e muitas usinas estão em dificuldades financeiras. Das 156 usinas sucroalcooleiras instaladas em 129 municípios paulistas, 25 estão em recuperação judicial e quatro fecharam, uma em Brejo Alegre, nos últimos dois anos. Os números são da UNICA, levantados junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

A usina de Brejo Alegre demitiu cerca de 500 funcionários, nos últimos seis meses, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araçatuba e região, responsável em atender os profissionais do município.

Para o especialista em Economia Agrária da Universidade de Brasília (UnB), José Eustáquio Ribeiro, a descoberta das bacias de petróleo do pré-sal diminuiu o interesse do mercado e do governo no etanol e, por isso, o setor perdeu investimentos.

“No início da década de 2000, o governo sinalizou favoravelmente à produção de biocombustível. As empresas investiram muito no setor. A produção expandiu, mas, por volta de 2006, 2007, com a descoberta do Pré-Sal, houve uma especulação muito grande em torno do mercado de produção de petróleo, e isso desestruturou a sinalizações que o governo vinha fazendo para o setor”.

Em ano eleitoral, os avanços e atrasos da matriz energética do país entram no debate dos presidenciáveis. O pré-candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes, foi um dos que respondeu à nossa reportagem sobre o tema. Ele disse que as políticas públicas voltadas para o setor sucroalcooleiro devem ser tratadas com prioridade.

“A quantidade de usinas que fechou no Brasil é criminosa. Porque teve um certo momento que o preço ficou impossível de honrar os custos, o setor foi obrigado a se endividar, lá se vem o juro para matar todo mundo, e isso hoje oprime muito esse setor sucroalcooleiro. Se nós regularmos, com prioridade, desde o biogás até o biocombustível mais sofisticado, o Brasil tem toda condição, se o governo ajudar na decolagem, de voar por si mesmo, e isso é uma das linhas do projeto nacional de desenvolvimento que eu venho defendendo no Brasil”.

Já o senador Álvaro Dias, pré-candidato à presidência do Podemos, acredita que o país precisa ampliar a produção de etanol por meio de investimentos em outras culturas, como algas e biomassa.

“Faltam políticas que produzam um bom desenho do mercado para os biocombustíveis e que impulsione o desenvolvimento e o aperfeiçoamento tecnológico para uso de outras fontes para produção de etanol, como algas e biomassa, como os resíduos agrícolas”.

Nossa reportagem não teve retornos das assessorias dos pré-candidatos Geraldo Alckmin, do PSDB, Jair Bolsonaro, do PSL, Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, Guilherme Boulos, do PSOL, e Manuela D’Ávila, do PC do B.

Com a colaboração de Juliana Gonçalves, reportagem, Cristiano Carlos

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