A indústria de base de Sertãozinho precisa contar com as usinas sucroalcooleiras para se manterem ativas. O município é sede de polo industrial que abriga cerca de 500 empresas especializadas e responsáveis por produção de equipamentos pesados para usinas de etanol. O problema é que quando o setor sucroalcooleiro entre em crise, os pedidos de equipamentos diminuem e a indústria de base sofre.
Esse é o cenário que se instalou na cadeia nos últimos anos. No estado de São Paulo, 25 usinas sucroalcooleiras estão em recuperação judicial. Nos últimos dois anos, quatro usinas foram fechadas no estado, duas em Sertãozinho. Os números são da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, a UNICA, com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Nos últimos três anos, de acordo com a Secretária de Desenvolvimento Econômico de Sertãozinho, as vendas da indústria de base encolheram de forma drástica, levando ao fechamento de quase uma dezena de empresas de médio e grande porte.
Para o especialista em Tecnologia do Álcool da Universidade de São Paulo (USP) Antônio Sampaio Batista, os empresários do setor sucroalcooleiro estão endividados, sem forças financeiras para novos investimentos. Ele explica que as recentes políticas de controle de preços dos combustíveis, adotadas pelo governo Federal, levou o setor à crise.
“Congelou o preço do combustível, mas não congelou, por exemplo, o preço dos insumos, não congelou o preço dos equipamentos, das máquinas agrícolas, preços de salários, com isso, o investidor, quanto o produtor rural, quanto o empresário, deixou de fazer os investimentos. Se a gente tivesse uma política pública mais definida. Definir quanto o país quer consumir de etanol, isso permitiria o empresário fazer o investimento”.
Nossa reportagem tentou falar com os pré-candidatos à Presidência da República para buscar sugestões daqueles que pretendem reverter o cenário de crise econômica na indústria.
O senador Álvaro Dias, pré-candidato à presidência do Podemos, acredita que o país precisa ampliar a produção de etanol por meio de investimentos em outras culturas, como algas e biomassa.
“Faltam políticas que produzam um bom desenho do mercado para os biocombustíveis e que impulsione o desenvolvimento e o aperfeiçoamento tecnológico para uso de outras fontes para produção de etanol, como algas e biomassa, como os resíduos agrícolas”.
O pré-candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes, disse que o setor sucroalcooleiro necessita de regulação própria e que o governo precisa ser atuante para alavancar o desenvolvimento das usinas e de toda cadeia produtiva.
“A quantidade de usinas que fechou no Brasil é criminosa. Porque teve um certo momento que o preço ficou impossível de honrar os custos, o setor foi obrigado a se endividar, lá se vem o juro para matar todo mundo, e isso hoje oprime muito esse setor sucroalcooleiro. Se nós regularmos, com prioridade, desde o biogás até o biocombustível mais sofisticado, o Brasil tem toda condição, se o governo ajudar na decolagem, de voar por si mesmo, e isso é uma das linhas do projeto nacional de desenvolvimento que eu venho defendendo no Brasil”.
Nós não conseguimos falar com Geraldo Alckmin, do PSDB; Jair Bolsonaro, do PSL; Marina Silva, da Rede Sustentabilidade; Guilherme Boulos, do PSOL, e Manuela D’Ávila, do PC do B.
Com a colaboração de Juliana Gonçalves, reportagem, Cristiano Carlos