De acordo com cientistas políticos e especialistas ouvidos pela reportagem, as causas que determinaram a derrocada petista foram, principalmente, os escândalos de corrupção protagonizados por lideranças da legenda, como no caso do Petrolão e do Mensalão, além do desgaste por conta do processo de Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
O professor emérito da Universidade de Brasília, a UnB, David Fleischer corrobora a análise.
SONORA: David Fleischer, Cientista Político.
REPÓRTER: Em 2012, o PT obtinha o terceiro maior número de prefeituras entre os partidos brasileiros, governando 630 cidades. Agora a legenda ocupa apenas o décimo lugar, entre todas as siglas, com 256 municípios. Para o escritor e Cientista Político Bruno Garschagen, o próprio sucesso do PT, em eleições anteriores, também contribuiu para o atual fracasso nas urnas. Ele explica o porquê.
SONORA: Bruno Garschagen, Cientista Político
REPÓRTER: De acordo com Garschagen, o resultado das eleições deixou o PT ferido, mas não a beira da morte. Ele afirma que o poder conquistado pelo partido ao longo de sua história, era, até então, inimaginável para o eleitor comum e, por isso, mesmo com a derrota, a sigla ainda terá musculatura para resistir, pelo menos por enquanto.
SONORA: Bruno Garschagen, Cientista Político
REPÓRTER: Um dos instrumentos utilizados para a construção política do PT, de acordo com Garschagen, foi a elaboração do Foro de São Paulo, um encontro que reúne partidos de esquerda da América Latina e do Caribe, onde esses partidos elaboram políticas de cooperação para chegar ao poder, como confessa Lula em 2012, em vídeo enviado ao XVIII encontro do Foro.
SONORA Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente
REPÓRTER: Antes das eleições, no dia 15 de setembro, o ex-presidente Lula disse em entrevista coletiva à imprensa que tinha “orgulho de ter criado o mais importante partido de esquerda da América Latina”. Mas de acordo com David Fleischer, Lula não esperava uma derrota eleitoral tão grande. O fracasso, segundo Fleischer, aliado ao afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff, fez com que o PT perdesse força, inclusive, diante de outros partidos de esquerda da América Latina.
SONORA: David Fleischer, Cientista Político
REPÓRTER: Com o enfraquecimento do PT, toda a rede de partidos progressistas da América Latina deve ser prejudicada, podendo representar uma onda de vitórias eleitorais de partidos identificados com o centro e com a centro direita, acredita David Fleischer.
SONORA: David Fleischer, Cientista Político
REPÓRTER: Para tentar evitar que o mesmo caminho ocorra no Brasil, o PT já anunciou através do presidente da legenda Rui Falcão, que vai apoiar candidatos de outros partidos progressistas que estejam no segundo turno das eleições municipais, onde o PT já não participa da disputa.
SONORA: Rui Falcão, presidente do PT
REPÓRTER: O PT reuniu, no último dia 6, a comissão executiva da sigla para discutir o fracasso eleitoral e, de acordo com Rui Falcão, o impeachment e a crise econômica explicam, em tese, o mau resultado. No entanto, o petista afirma que o partido é vitima de uma “ofensiva terrível” das forças conservadoras do país.
SONORA: Rui Falcão, presidente do PT
REPÓRTER: Líder do Democratas no Senado, e um dos principais nomes de oposição ao PT, o senador Ronaldo Caiado rebateu as afirmações de Rui Falcão. Para ele, a derrota eleitoral do PT não é fruto de uma “campanha conservadora”, mas, sim, resultado dos escândalos de corrupção protagonizados pelo partido.
SONORA: Ronaldo Caiado, Líder do Democratas no Senado
REPÓRTER: Tanto para David Fleischer, como para Bruno Garschagen, caso o PT não se recupere nas próximas eleições, os políticos da sigla podem deixar o partido ou mesmo refunda-lo com outro nome.
Nesta semana, o petista e ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, concedeu entrevista ao jornal O Globo, onde disse que o PT precisa impulsionar a formação de uma nova frente de esquerda, na qual o partido não tenha necessariamente a hegemonia automática”. Segundo ele, isso significa “compreender que o partido precisa se reinventar”.
Reportagem, João Paulo Machado