Por Marquezan Araújo
Os setores da construção, serviços industriais de utilidade pública e alimentos são os que mais contribuem para o desenvolvimento industrial em Pernambuco. Ao lado de outros, esses segmentos respondem por 72,9% da indústria local. Os dados constam no Portal da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Além disso, números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apontam que a Construção Civil e a Indústria de Transformação estão entre os setores que ajudaram a aliviar a situação ruim de Pernambuco, com 345 e 527 contratações em julho, respectivamente. No geral, o estado mais demitiu do que contratou no último mês.
Para o gerente-executivo de Estudos e Prospectiva da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Márcio Guerra, isso mostra que as profissões que dependem de uma qualificação técnica ainda conseguem empregar mais. No entanto, ele acha que esse índice poderia ser melhor se a Educação Básica oferecida no Brasil fosse mais eficiente e objetiva.
Com base em estudo da CNI, o especialista afirma que a falta de qualidade na Educação Básica brasileira é um problema antigo e que atrapalha o ingresso do jovem no mercado de trabalho. “Apesar de a educação colocada hoje passar por uma possibilidade de reforma, ela ainda é pouco conectada com os reais problemas do mercado de trabalho”.
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De acordo com o balanço, que faz parte de um grupo de propostas apresentadas aos candidatos à Presidência da República para as eleições deste ano, o Brasil conseguiu praticamente universalizar o acesso ao Ensino Fundamental. Em 2015, por exemplo, 97,7% da população de 6 a 14 anos estava matriculada nesse nível de escolarização. Contudo, Guerra explica que isso ainda não é o suficiente.
“Nós tivemos um processo de universalização da educação do Brasil, mas quando olhamos as taxas de produtividade, percebemos que a educação não fez transformações na área, muito por causa da baixa qualidade que se tem”, disse.
Naquele ano, cerca de 1,5 milhão de jovens com idade entre 15 a 17 anos deveriam estar cursando essa etapa da formação educacional, no entanto, encontravam-se fora da escola.
Educação técnica e profissional
O último balanço do Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC) aponta que, no Nordeste, meio milhão de pessoas optaram por cursos técnicos. Essa procura, segundo o diretor Regional do SENAI-PE, Sérgio Gaudêncio, também se dá pela divulgação da eficiência dessa modalidade de ensino. Segundo ele, o preparo é oferecido para diversas áreas. “Existem cursos voltados para a indústria 4.0, voltados para aplicação da mecatrônica, da eletromecânica, todos voltados para essa realidade.”
Gaudêncio afirma ainda que, além de um melhor salário, as pessoas que concluem um ensino técnico vão ter mais facilidade de arranjar emprego. “Para cada nível superior eu precisaria de três ou quatro pessoas de nível técnico para poder montar uma estrutura de trabalho dentro de uma indústria, eu vou ter uma empregabilidade maior em virtude disso”, avalia.
De acordo com o SENAI, os profissionais técnicos da região ganham salários de até 21% maiores quando comparados com os rendimentos dos trabalhadores que cursaram o ensino médio regular.