Neste dezembro, o Brasil celebra 30 anos de combate à aids. Só quem convive com o HIV há anos sabe o quanto o País avançou no assunto ao longo dos anos. Veja o exemplo do pernambucano Wladimir Reis, 56 anos, dirigente da ONG Grupo de Trabalho em Prevenção Positiva. Ele conta que foi diagnosticado em 1992, quando muito pouco se sabia sobre a doença. Não existia teste de checagem específico e as medicações eram muito mais agressivas, além de ter uma dosagem bem maior. Wladimir explica que contraiu o HIV do companheiro, que morreu de tuberculose, uma doença oportunista grave para quem tem o vírus, e que só depois disso foi diagnosticado. Revela ainda que, devido à desinformação, o preconceito era ainda maior do que se tem hoje. Até mesmo os profissionais de saúde ficavam receosos em atender os pacientes.
“As pessoas, quando eu dizia que achava que estava com HIV, se afastavam. As pessoas no trabalho perguntavam se eu podia almoçar ao lado, se podiam beber água perto de mim. Era uma série de situações. Os amigos que eu tinha, que eu não considero amigos, porque quando eles sabiam que o Alberto tinha morrido de aids eles se afastavam. Quando eu perguntava pra eles, falava, eles se afastavam de mim.”
Segundo ele, até no enterro do companheiro houve discriminação. Wladimir conta que a família usou cal e pregos na lápide e que os coveiros diziam que depois de dois anos teriam que retirar o esqueleto por medo de transmitir o vírus. Mas Wladimir não se deixou abalar. Ele foi um dos fundadores, e atualmente é o dirigente da ONG Grupo de Trabalho em Prevenção Positiva, a primeira instituição de pessoas vivendo com HIV da região Nordeste. Desde então vem trabalhando na conscientização da população, acompanhando e incentivando o tratamento das pessoas diagnosticadas com o HIV. Ele deu a volta por cima. E o trabalho parece estar produzindo resultados. Camila Dantas, gerente do Programa de Prevenção de IST/aids de Pernambuco, destaca que as pessoas estão conseguindo ser diagnosticadas mais cedo, não permitindo que o HIV se desenvolva até chegar à aids, que é quando a pessoa adoece.
“Ele vem acontecendo mais na etapa inicial, apenas enquanto infecção. Os nossos números de casos de aids vêm reduzindo desde 2013, enquanto que os de HIV, de infecção por HIV, vem aumentando, de uma forma discreta, mas vem aumentando. O que significa que a gente consegue diagnosticar de forma precoce, oportunizando essa terapia antirretroviral e o tratamento.”
Fique atento você, também! Quanto mais cedo o diagnóstico, mais eficiente será o tratamento. Faça checagens regularmente e coloque a saúde em dia. Use camisinha e conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS. Proteja-se. Trinta anos da luta mundial contra a aids. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br.