Olá para você que resolveu dar uma Pausa Para Saúde. Eu sou Aline do Valle e estou no estúdio com meu colega Pedro Paulo Souza para falar de Festa Junina.
Eu sou um grande fã dessa época do ano. Adoro festa junina! Mas acho que perdi pra nossa convidada Juliana Luniere. Ela tem 26 anos, mora em Brasília e desde sempre acompanhou o maior número de festas que pôde. A gente mal começou o mês de comemorações e olha só: Juliana, ainda dá pra contar nos dedos as festas que você já foi?
“Vixi! Eu trabalhei na [festa] que eles não chamam de festa junina, mas é festa junina, que tem na minha paróquia. A gente já fez uma festa junina na casa de uma amiga minha, aí já fui na festa junina da igreja, da igrejinha aqui da sete sul [uma das quadra de Brasília]... Eu saio procurando sou rato de festa junina”.
Confesso que também sou fã dessa época, principalmente da comida. Mas é claro que hoje eu, o Pedro e a Juliana não falaremos só disso. Vamos reforçar alguns cuidados importantes para essa época do ano. E nossa atenção agora vai para a cozinha que é onde as delícias são preparadas. O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, Luiz Xavier vai mostrar pra gente algumas formas de evitar acidentes nesses ambientes.
“Na hora que estão fazendo as canjicas, os produtos que vão consumir na festa, acaba a mãe - ou quem estiver ali na beira do fogão - deixando sempre os cabos das panelas do lado de fora; uma prática totalmente errada. É melhor evitar. Colocar [os cabos] sempre para dentro e ficar observando sempre as crianças que são curiosas, né? E acabam querendo ver, puxam e acaba acontecendo acidente”.
Anotou aí? Os cabos das panelas precisam ficar virados para o lado de dentro. Mas existe outra maneira de evitar acidentes: deixar as crianças do lado de fora da cozinha ou do lugar em que as comidas quentes são feitas. Lembra da Juliana, Aline? Ela tomou esse cuidado em das festas que ela foi como ajudante.
“Eu fiquei na barraca do pastel. Como eu trabalho na catequese, eles queriam colocar que a gente colocasse as crianças para ajudarem a gente nas barracas, né? O primeiro que a gente fez foi: - Não. E aí a gente já cortou, porque tem fogo, tem óleo. Então a colocou eles pra pintar coisas, para fazer arrumação e decoração”.
Mas o cuidado não foi só com as crianças, certo Juliana?
“A gente tentou departamentalizar. Então quem tinha que ficar pela fritura ficava só lá. E as outras pessoas organizavam os pedidos, e ela mesmo não se preocupar com isso não. Que era pra nem dar nervosismo na hora, não bagunçar. Não ficava mais de uma pessoa mexendo na panela não”.
Mas a gente sabe que a festa não fica só dentro da cozinha ou das barraquinhas (apesar de ser uma ótima ideia). A dança, conversas e brincadeiras e, inclusive a comida, ficam do lado de fora. E você sabia Aline que alergias alimentares também podem ser um risco para a diversão?
É verdade, Pedro. As comidas têm bastante amendoim, castanhas...alimentos com potencial alérgico grande. Mas mesmo que as pessoas sensíveis a eles não comprem nenhum prato com castanhas, pode haver resquícios tanto nos alimentos, quanto nos recipientes. E sabe qual o risco? Uma crise alérgica tão forte que incapacita a pessoa de respirar: chamada choque anafilático.
Então fique de ouvidos abertos para reconhecer os sinais desse choque em seu filho, amigo ou mesmo alguém que está na mesma festa que você. Quem vai falar com a gente agora é a enfermeira Mônica Libardi, instrutora do núcleo de urgência do Samu do Distrito Federal.
“Geralmente começa com tosse, dificuldade respiratória. Às vezes acontece o inchaço da pálpebra dos olhos, dos lábios das narinas, do próprio rosto das bochechas, né? Começa a ficar tudo muito vermelho, inchado... Isso tudo são sinais de que pode estar havendo um quadro alérgico que pode estar entrando em um choque anafilático. Aí o que que deve ser feito? Imediatamente pedir ajuda ou ser levada a uma Regional de Saúde”.
E como estamos falando de Festa Junina, não podemos deixar de lado dois símbolos super comuns, mas acompanhados de muitos riscos: as fogueiras e os fogos de artifício, ou rojões. Só no ano passado, 486 pessoas foram internadas com alguma complicação decorrente de fogos de artifício. E segundo levantamento elaborado pelo Conselho Federal de Medicina, a cada ano 10 pessoas morrem por acidentes envolvendo os artefatos.
Ao usá-los de forma inadequada, você se expõe a queimaduras, lesões nos olhos e ouvidos, cortes e amputações de membros. Essas consequências acabam com o clima festivo e mudam a vida de quem presencia o acidente. Foi assim com o Cristiano Mário Marques, de 45 anos morador de Salvador. Que há 18 anos se acidentou usando fogos de artifício em uma festa junina.
“Eu perdi a mão direita. E logo quando aconteceu, foi encaminhado para o pronto-socorro. No pronto-socorro foi chamado cirurgião de mão onde ele constatou que infelizmente tive que amputar minha mão. Eu queria deixar bem claro para as pessoas que gostam de soltar fogos, pincipalmente aquelas bombas faz um estrondo absurdo, que são as bombas maiores, as bombas de cordão... Não vale a pena trocar. Você acha que nada vai acontecer com você, mas acontece. E, no meu caso, poderia ter acontecido coisa pior. Não compensa. É um prazer desnecessário”.
Todo cuidado é pouco quando se lida com fogo. Mas acidente é acidente. Por isso é importante saber o que fazer nessas situações. Quem ajuda a gente nesse momento é o capitão do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, Luiz Xavier.
“No caso das queimaduras (seja em qualquer pessoa), deve se manter a calma, ligar 193 ou 192, que nós estaremos preparados. E de imediato lavar com bastante água. Jamais colocar qualquer tipo de produtos no local da queimadura. Jamais colocar qualquer tipo de medicamento que não seja prescrito pelo médico. Jamais fazer a raspagem porque geralmente tem aquela bolha e aquilo está protegendo a pele, está hidratando”.
No cuidado com queimaduras ou feridas causadas por fogueiras ou fogos de artifício, cada segundo conta. O tipo de atendimento recebido na hora do acidente influenciará no tratamento. É o que explica o médico Milton Pignataro, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão.
“Por que é muito importante o atendimento inicial ser correto, ser especializado? Porque começam logo haver retrações, cicatrizações que se não tiver bem alinhado, bem posicionado, muitas vezes serão irreversíveis”.
Por essa razão é muito importante prestar atenção às formas de prevenção. O uso de fogos de artifício só é recomendado para pessoas experientes em manipulá-los. E, mesmo assim, devem ter selo de garantia, e encaixes que os deixem longe das mãos.
As fogueiras também devem ser feitas com muita cautela e seguir instruções específicas. E para isso vamos recorrer capitão Luiz Xavier, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Capitão, existe um jeito de fazer fogueiras de forma segura?
“Bem, segura, segura totalmente não tem. O que nós recomendamos é que faça uma cama de areia né? E coloque as madeiras em cima. E ficar sempre observando. No decorrer dessa fogueira da festa as madeiras vão se queimando e pode acontecer algum acidente. Ela vem caindo, e ela começa a dispersar. Também evitar de fazer próximo as matas, debaixo de redes elétricas e perto das residências”.
Estamos quase acabando. Mas ainda tem um alerta muito importante. Vamos falar de um tipo de emergência muito comum, durante as festas juninas: o engasgo que está entre as ocorrências mais comuns atendidas pelo Samu durante este período.
Quem nos dá as ficas para driblar esse contratempo é a enfermeira Mônica Libardi, instrutora do núcleo de em urgência do SAMU do Distrito Federal.
“Primeiro sinal clássico de engasgo no adulto e na criança maior é a mão no pescoço. Ela vai com aquela mão no pescoço, os olhos ficam abertos assustados. É o primeiro sinal. A primeira coisa que você pede para essa pessoa fazer também é pensar tossir - o reflexo da tosse. Enquanto ela está consciente você fala: - Tosse, tenta tossir! Que as vezes no que ela tosse ela consegue expelir o objeto. Se com a tosse não conseguir, então você vai por trás dela, envolve seus braços pela cintura e faz os golpes pela frente”.
E sempre ligando para o serviço de emergência, correto?
“Todas as vezes, na dúvida, ligue 192. Você tem o médico na central de regulação de urgências 24 horas. São autoridades sanitárias que vão te orientar o que fazer”.
Todas as emergências citadas aqui podem ser atendidas tanto pelo Samu, pelo telefone 192, quanto pelo Corpo de Bombeiros, pelo 193. Bom, agora sim estamos preparados pras festas, não é Pedro?
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