Saúde - undefined·14 de junho de 2018

PAUSA PARA SAÚDE: Doação de Sangue

Por Agência do Rádio
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Olá para você que resolveu dar uma Pausa Para Saúde. Eu sou Aline do Valle e estou no estúdio com meu colega Pedro Paulo Souza em homenagem ao dia Dia Mundial do Doador de Sangue, comemorado em 14 de junho.

Aqui no Brasil, a celebração tem o objetivo de incentivar cada vez mais doações voluntárias. A cada ano são feitas cerca de3milhões de doações de sangue. Ou seja, 16 doações para cada mil habitantes. Um número interessante, já que o mínimo esperado pela Organização Mundial da Saúde é de 10 doações por mil habitantes.

E essas trêsmilhões de pessoas já ajudaram a pelo menos outras 13 milhões e seiscentas. E isso só em um ano, viu? Isso porque, basta uma bolsa de sangue para ajudar a salvar pelo menos quatro pessoas.

E a gente tem aqui um dos campeões em doações, Aline. O Alfredo Quiroz, professor de espanhol de 53 anos que mora em São Paulo. Ele já fez  261 doações, equivalente a 120 litros de sangue. E hoje, coordena um grupo de 8.500 doadores ativos. Conta para a gente a sua história,  Alfredo! .

“Eu nasci na Bolívia, mas vim para cá com 8, 9 anos. Tenho 42 anos de Brasil. Então eu tenho mais tempo de Brasil e da minha própria terra. Na década de 90 eu tive um problema de família: um sobrinho meu não teve leucemia E aí eu senti a profundidade do que era realmente o doar sangue. Daí então eu peguei mais firme na causa e isso me incentiva todos os dias a fazer este tipo de atitude”.

E quando ele fala que pegou firme na causa, fala sério. Porque faz 22 anos que é doador e não é agora que vai parar, certo Alfredo?

  “Exatamente, Aline. Tenho tido o privilégio de fazer isso pela humanidade e espero fazer até os setenta e nove anos e nove meses!  Todo cidadão deveria ter isso como uma roupa vestida nele. Sem precisar que as pessoas o lembrem, ele precisaria já ter no seu calendário e indo atrás de quem realmente está precisando”.

Só reforçando: o Alfredo disse que quer doar até os 69 anos e nove meses, porque essa é a idade limite estipulada pela nossalegislação. A idade mínima é de 16 anos, desde que o doador tenha autorização assinada por um responsável.

Agora, Aline. Não sei se você já recebeu pedidos via Facebook, whatsApp ou até verbal. É até comum e o legal é que o pessoal sempre responde. Mas seria ainda mais interessante se o brasileiro fizesse da doação, um ato contínuo, não é?

Olha, tô fazendo as contas aqui, Pedro. Se cada pessoa que pode doar, fizesse disse um hábito. Uma meta: doar todo ano.Considerando 3 doações por ano. Essa pessoa gastaria em média uma hora e meia do ano inteiro. Porque a média de cada doação é de apenas 15 minutos. E esse tempinho gasto ajudaria a salvar a  vida de cerca de 12 pessoas. Vale a pena, não é?

E se vale! E sabia que tem gente que pensa no próximo ese coloca acima das vontades próprias? Tô falando aqui da Ninah Moreira, de 27 anos.  Ela é doadora desde 2013 e pretende continuar por muito mais tempo.

 “É bem legal! É uma sensação assim...dever cumprido mesmo,sabe? E aí eu sempre fico adiando. Eu tenho 6 tatuagens. E eu sempre fico adiando porque às vezes eu quero fazer uma tatuagem e falta um mês para completar os quatro meses que faltavam para doar...E aí eu falo: não. vou doar e depois eu faço. E aí eu deixo passar aí...Falo não. não vou doar de novo.  e aí eu faço e sempre vou adiando”

Essa experiência é muito legal mesmo. Agora, aproveitando a deixa vale lembrar pro nosso ouvinte o porquê da Ninah adiar as tatuagens. Essa é uma das restrições dadas pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria número 158 de fevereiro de 2016 que determina o regulamento para procedimentos hemoterápicos, ou seja, que usam o sangue para algum tipo de tratamento. 

Bem lembrado, Pedro. A recomendação de quem faz tatuagem, coloca piercing ou faz maquiagem definitiva é de que espere um ano após o procedimento. Mas também existem outras restrições. E pro nosso ouvinte entender melhor, a gente traz aqui pra nossa conversa o cuiabano, Sidnei de Almeida. Ele tem 48 anos e é doador há pelo menos 15 anos e contou pra gente que é daqueles que o Homocentro da cidade sempre chama quando necessário. Literalmente “sangue bom”. Só que o Sidnei precisou dar uma pausa nas doações. Ele fala pra gente o porquê.

 “Eu como sou asmático estava usando um medicamento chamado ‘Alenia’ e por causa desse medicamento e eu não poderia doar, né? Agora eu mudei de medicamento. Estou fazendo tratamento da asma por ver se  melhora. E melhorando espero, já pode fazer a doação. Então essa é minha vontade, porque eu sempre doei e estimulei a galera a doar estimular a galera. Porque realmente sou apaixonado por isso”.

Essa restrição não aconteceu só com o Sidnei. Por isso é importante ficar ligado nas dicas do médico da Fundação Hemocentro de Brasília, Rodolfo Duarte que explica pra gente como os medicamentos interferem na doação.

 “Então, na maior parte das doenças crônicas enquanto a pessoa está fazendo uso de algum remédio para o tratamento. A própria medicação presente ali circulando no sangue dele que podem estar passando para doação e acabar interferindo no tratamento de quem precisar desse sangue”.

É claro que existem muitas outras dúvidas, não é Aline? E aqui a gente não pode responder a todas elas. Mas é exatamente por isso que as unidades de coleta de sangue, os hemocentros, têm passos muito cuidadosos para aqueles que querem ser doadores.

Isso mesmo, Pedro. Esses passos servem para garantir a segurança do doador. Porque doar sangue é seguro. E quem fala mais pra gente desses passos é o coordenador-geral de sangue e hemoderivados do Ministério da Saúde.

 “Sempre existe uma triagem feita por um profissional de saúde que pergunta diversas coisas sobre a situação de saúde dela - questão de peso, faz alguns exames na hora de analisar, com [por exemplo] se o açúcar no sangue está adequado pro nível de hemoglobina dela. Então tudo é feito para preservar a integridade do doador”. 

Vale lembrar que toda essa triagem é sigilosa.Muito bem lembrado, Aline. Agora, está naquela hora de responder dúvidas frequentes a respeito da doação de sangue. E quem continua respondendo a gente é o médico do Hemocentro de Brasília, Rodolfo Duarte. A primeira é a respeito da diferença dos intervalos de doações para homens e mulheres. Doutor, essas diferenças estão ligadas a alguma característica específica?

 “Exatamente. O que acontece quando a gente faz a doação de sangue em nosso organismo: ele necessita de um tempo para repor os nutrientes, para formar aquele sangue novamente - principalmente o ferro porque é um elemento fundamental na formação das células sanguíneas. Para o homem é permitido fazer uma doação a cada dois meses. Já para mulher é permitido fazer uma doação a cada três meses. É porque no ciclo de vida ela já perde sangue naturalmente mensalmente. Então, para ela, aquela doação vai levar um pouquinho mais de tempo para o organismo dela se recuperar e juntar de novo os nutrientes necessários para que ela possa fazer uma nova doação”.

Então, doutor. Essa demora para repor nutrientes cria uma certa tensão e até desconfiança em quem quer doar. Por isso, a gente vai trazer uma pergunta e senhor vai falar pra gente se é mito ou verdade. Vamos lá: doar muito sangue causa anemia. Mito ou verdade?

 “Isso é um mito, né? Então é bastante interessante quando a gente pode derrubar esses mitos que acabam afastando a população dos hemocentros desse hábito tão saudável, tão maravilhoso que é doar sangue para quem precisa. Na verdade não tem nenhum risco de a pessoa acabar sofrendo uma anemia por conta da doação. Por quê? Porque a quantidade de sangue que nós doamos a cada ida ao Hemocentro ela é bastante segura para o organismo. Então não tem a menor chance da pessoa vir doar saudável e acabar saindo do hemocentro com algum problema, tipo anemia ou alguma doença que seja”.

Tem outra dúvida muito comum, Aline. A gente disse no começo do programa que uma bolsa de sangue salva até quatro vidas. Mas seria legal a gente falar como funciona esse processo, não é verdade? Pra isso, vamos chamar o doutor Flávio Vormittag, coordenador-geral de sangue e hemoderivados do Ministério da Saúde. Doutor, Flávio. Como é feito o aproveitamento do sangue doado?

 “Depois que a bolsa de sangue é coletada, o sangue é dividido em 4 componentes Concentrado de Hemácias (CH), Concentrado de Plaquetas (CP), Plasma Fresco Congelado (PFC) e Crioprecipitado (CRIO) que pode ser utilizado como produto terapêutico em até 4 pacientes diferentes. Todo sangue coletado é testado e só é liberado para uso após comprovada sua segurança”.

Por último, mas não menos importante. Queremos saber quantos mililitros -quantos ml-  são coletados por vez?

“Com a finalidade de proteger os doadores, são adotadas, tanto no momento da seleção de candidatos quanto no momento da doação, medidas e critérios, dentre eles o volume de coleta. Para mulheres, o máximo de volume coletado é de 8 (oito) mL/kg de peso e, para os homens, 9 (nove) mL/kg de peso. O volume admitido por doação é de 450mL ± 45mL, aos quais podem ser acrescidos até 30 mL para a realização dos exames laboratoriais exigidos pelas leis e normas técnicas”.

Bom, acho que já deu pra entender pelo menos o básico, não é Aline?

A gente espera que sim, né Pedro? Mas vale sempre lembrar que, em caso de dúvidas, o ouvinte pode ouvir novamente o programa, ou entrar no site saude.gov.br/doacaodesangue (sem cedilha e sem acento)e procurar todas as informações.

Isso aí. Então, repetindo o endereço: saude.gov.br/doacaodesangue. E o nosso Podcast fica por aqui. Muito obrigado a você pela companhia. Lembrando que você pode encontrar esse e outros programas e informações nas nossas redes socais. Basta acessar Facebook.com/Minsaude, Twitter @minsaude ou Instagram @minsaude.

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Por exemplo: meu nome é Pedro Paulo, sou de Brasília, Distrito Federal. E, então, fale sua dúvida ou sugestão de tema para o Podcast.

Isso aí. Só pra lembrar: nosso WhatsApp é 61 99288-9677. Aproveite essa semana tão especial de comemoração do Dia Mundial do Doação de Sangue e não perca a chance de ser um doador de sangue e transformar uma vida. Até mais!

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