Desde a primeira respiração, nosso cérebro começa a absorver informações e a cada milissegundo é preenchido de milhares de conexões que, no futuro, podem determinar comportamentos. E no Pausa para Saúde de hoje, eu Aline do Valle e meu amigo Janary Damacena vamos conversar a respeito do período mais importante da nossa vida: a primeira infância.
É Aline, lá em casa tenho um menino pra lá de esperto e que não para de fazer novas descobertas. É como se desse para ver o cérebro crescendo e se modificando, o que a ciência chama de plasticidade. Do nascimento até os seis anos – que é o período da primeira infância – a cada segundo o cérebro faz entre 700 a 1000 conexões (as sinapses).
É um supercérebro aquele que todos desejamos ter. As crianças estão atentas a tudo o tempo todo com todos os sentidos muito aflorados. E é natural que quando chegue uma criança na família queríamos dar todos os estímulos possíveis. Afinal, o objetivo é que ela cresça e se desenvolva da melhor maneira possível. Foi assim com vocês, Janary?
Só que Aline, sabia que estímulos em excesso podem prejudicar esse crescimento? Quem fala mais pra gente é a psicóloga especialista em criança e adolescente, Soraya Pereira.
“Você entra num quarto de bebê hoje e tem um monte de coisa, é muito colorido; um quarto de bebê que tem 500 penduradas: um mobile que toca uma musiquinha que balança, é um brinquedo que tem luzes, tem som... Então a criança está sendo estimulada de uma forma errada. E essa criança precisa ser estimulada no sentido de facilitar com que ela vá colocando potencial dela para fora. E assim ela vai tendo uma autonomia, ela vai tendo uma certeza de que ela é um agente transformador e que ela realmente é capaz de executar alguma tarefa. Então com esses estímulos todos que hoje a sociedade está fazendo -está proporcionando às crianças. O que a gente está tendo são crianças muito agitadas crianças, crianças irritadiças, e crianças que querem que o brinquedo brinque por elas. Então são crianças que tem uma imaginação muito carregada do estímulo de eletrônicos e crianças que não sabem brincar sozinhas. O que a gente precisa voltar um pouco para esse potencial infantil”.
Dar liberdade para que os pequenos descubram o universo por si mesmos é o primeiro passo para mudar esse quadro. Porque até mesmo o cuidado, quando excessivo, pode ter impactos negativos no futuro.
Mas essas são cenas dos próximos minutos, Aline. Antes de chegarmos lá. Vamos convidar nossa colega Patrícia Cordeiro, repórter aqui do Ministério da Saúde que ontem visitou uma escola que cuida de crianças que ainda estão na primeira infância. Tudo bem, Patrícia?
[resposta pessoal – conta da experiência na escola ontem e chama relato da Cristiane Ximenes, mãe do Gael]
“Uma coisa que eu sempre priorizei muito foi a questão do contato da natureza. Eu sempre achei importante que ele pudesse andar descaço sentir a terra que ele pudesse escolher frutos direto do pé que ele andasse em árvore. Então eu acho que a criança consegue imaginar, criar as próximas brincadeiras uto mias do que ficar dentro de casa assistindo desenho num tablet. Lá me casa a gente tem o momento do tablete, mas eu procuro priorizar atividades externas”.
E você teve uma convida de especial no meio da entrevista, não é Patricia?
[Patrícia, Aline e Janary interagem]
“[Patricia] Onde você estava?
[Criança] No dentista
[Patricia] era na escola?
[Criança] Não
[Patrícia] e o que você na escolinha hoje?
[Criança] Brincar
[Patrícia] De que?
[Criança] De tinta “
[Patrícia explica, Aline e Janary interagem]
Que gracinha. [Agradece Patrícia] E olha só, Aline, brincar com tinta com rolo de papel higiênico e outros objetos simples auxiliam no desenvolvimento cognitivo. E, claro, convidamos mais uma vez a psicóloga Soraya Pereira para falar com a gente. Que tipo de objetos podemos usar para auxiliar esse desenvolvimento?
“Dar os brinquedos dela são brinquedos simples né pode ser tampa de Tupperware pode ser 6º pode ser várias coisinhas simples não precisa ser pequenos importados brinquedos cheios de detalhes não né criança precisa desde pequena usada criatividade ela precisa saber criar em cima de materiais que às vezes a gente não dá nada né pelo que levar serial caixa rolo de papel higiênico é um potinho de inox né uma peneira são coisas interessantes para crianças então a gente precisa voltar numa simplicidade”
Então pelo que entendi até agora, é que nosso papel como adultos é cuidar, proteger e guiar o crescimento da criança e dar a ela o tempo necessário para desenvolver autonomia. Mas, por favor, nos explique por que essa ânsia de dar o melhor estímulo possível – seja por ensino de brinquedos, ou cores, ou falas... – pode prejudicar a criança no futuro?
“O que que vai acontecer é que lá na frente a gente fala: ah meu filho começou a escrever com 3 anos, a ler com 3 anos tem que estar faz isso. Só que a leitura a leitura é muito mais do que ler casa leitura tem um significado a leitura tem nem toda história que vem tem todo um contexto da leitura. Então essa criança se cansa de ler essa criança não quer mais escrever...Essa criança quando a gente às vezes coloca criança no “peniquinho” para fazer cocô antes da hora, de repente a gente vai ter um intestino preso lá na frente. A gente vai ter uma criança que vai sair né tem um problema sério de irritação. E agora na primeira infância as pessoas não percebem que isso vai repercutir lá na lá na frente”.
Então, Soraya qual seria uma forma de respeitar esse espaço durante a primeira infância e ao mesmo tempo exercer o papel que cabe a nós como adultos – sermos guia, alguém que provê segurança...
“Nesse período da vida a criança precisa ter carinho. A criança precisa ser olhada, falar com ela, explicar para ela o processo que está acontecendo o que está fazendo... ficar perto dessa criança. E o mais importante é um ambiente calmo ambiente tranquilo essa criança precisa saber o que que tá acontecendo, o que que vai acontecer com ela, o que que vai fazer. “-Olha, eu vou te dar banho, eu tô tirando a sua roupa , eu vou agora vou lavar sua cabeça; estou pegando no seu corpo...” Então você vai relatando para essa criança o que está acontecendo. Se a criança olha uma torneira, você diz: “isso é uma torneira”. Então você vai passando informação de acordo com que essa criança está descobrindo. Não é você está estimulando essa criança. Ela vai para o banho ela tem 500 brinquedos dentro do banho então ela não sabe o que ela tá fazendo, né?”.
Obrigada, Soraya. Bom, nosso Pausa para Saúde está chegando ao fim e, claro, vamos resumir pra vice as principais ideias da nossa conversa. Começa aí, Aline.
Olha, pra mim a principal ideia foi: vamos deixar as crianças brincarem e se divertirem enquanto aprendem no ritmo delas. Sem pressa e sem exagerar nos estímulos. E pra você, Janary? Qual foi o destaque?
Olha, Aline, como pai é sempre bom ficar esperto a esse limite. Principalmente pensando no impacto que o excesso pode ter no futuro. Mas, Soraya, a gente queria deixar um recado para aqueles papais e mamães de primeira viagem que começam agora a jornada do desenvolvimento. Qual seu recado?
“Falar um pouco desse desenvolvimento, desse respeito pela criança. Desse ser que tem sim um potencial fantástico! E bebê pensa. Bebê é fascinante. As vezes a gente acha que o bebê não pensa, que o bebê é totalmente incapaz e não é”.
Bom, uma habilidade ótima dos bebês é mudar o nosso humor. Afinal, eles sentem cada detalhe e usam todas as experiências para transformar o ambiente. Fora, que eles sempre alegram nosso dia, não é mesmo? Mas, se eu pudesse, falaria o dia todo dissa, mas não, né Janary?
Não dá, Aline...Mas se você que nos escuta quiser descobrir mais sobre desenvolvimento infantil e outros assuntos, basta acessar nossas redes sociais Facebook.com/minsaude e pelo twitter, @minsaude.
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FINAL [ao vivo]