A educação básica brasileira e o preparo dos jovens para o mercado de trabalho está em cheque. Segundo dados de 2017 da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílio, a PNAD, 58% dos jovens de até 19 anos não concluíram a Educação Básica. Já no segundo trimestre deste ano, mais de 26% dos jovens entre 18 a 24 anos estavam desempregados. No Paraná, a taxa foi de 18,6%.
Para não fazer parte deste índice, a estudante Fernanda da Silva, de 18 anos, fez o curso técnico em Logística do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o SENAI de Ponta Grossa, durante o terceiro ano do ensino médio. Ter uma qualificação técnica ajudou a jovem a ter vantagens no mercado de trabalho.
“Com certeza ele vai ser de grande diferencial, porque hoje em dia não são muitos jovens que, fazendo o terceiro ano, fazem junto um (curso) técnico. Então isso com certeza já é um diferencial para o mercado de trabalho.”
A coordenadora da Gerência de Educação Básica e Continuada do SENAI do Paraná, Jacielle Ribeiro, analisa a decisão de Fernanda como positiva.
“Essa educação tem fazer sentido para a vida desse aluno. Quando ela passa a trabalhar as temáticas que ele vai ter dentro do ambiente de trabalho e ele consegue identificar a relação entre a teoria e a prática, é ele que sai mais preparado para ingressar numa indústria e aplicar os conhecimentos.”
O diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, explica a realidade encontrada por um jovem que acabou de sair do Ensino Médio.
“O primeiro processo de seleção, que vai falar com profissional de RH, se tiver num plano médio, 75% não aprendeu adequar a língua portuguesa. E ele não tem Educação Profissional. Imagine o drama desse jovem para conseguir uma vaga no mercado de trabalho.”
Os profissionais da indústria defendem, ainda, que fazer o Ensino Médio e um curso técnico ao mesmo tempo é importante para o desenvolvimento dos alunos durante o período escolar. Porém, essa é uma realidade de apenas 11% dos estudantes brasileiros.
Reportagem, Pedro Marra