Entre os anos de 1980 e 2017, foram registrados mais de 880 mil casos de aids no país, com uma média de 40 mil casos novos por ano. O Nordeste responde por 15,4% do total de casos. Este ano, o Brasil e o mundo comemoram 30 anos de combate à doença. De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV/aids, entre 2014 e 2017, houve uma redução de 8,8% no coeficiente de mortalidade na Paraíba, que passou de 3,4 para 3,1 óbitos por 100 mil habitantes. Já em relação aos casos, desde o ano de 2014, se observou um aumento da taxa de detecção de aids no estado. Eram 12,9 casos por cada 100 mil habitantes, em 2014, e, em 2017, foram 13,3 para cada 100 mil habitantes, o que representou um aumento de 3,1%. Ivoneide Lucena, gerente operacional das IST's, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Saúde da Paraíba, comemora o aumento dos diagnósticos precoces. O estado registra cerca de 800 casos por ano. Para ela, um dos motivos desse aumento é a disponibilização do teste rápido na atenção básica de todos os 223 municípios da Paraíba.
“A população, no geral, que tem principalmente relações sexuais sem o uso do preservativo, da camisinha, ela deve estar sempre se testando, a cada seis meses. São duas testagens por ano. Porque muitas vezes varia de pessoa pra pessoa ter os sintomas. Mesmo tendo o vírus no organismo, mas não tem nenhum sintoma. E, dessa forma, se a pessoa não sabe que tem, faz sexo sem camisinha com outras pessoas e está transmitindo o HIV, sem saber.”
Desde o primeiro caso da doença na Paraíba, em 1985, até hoje, cerca de 1500 pessoas abandonaram o tratamento. O veterinário aposentado Valdomiro Gomes, de 46 anos, é um dos fundadores da ONG que apoia pessoas com HIV, Cordel Vida, em que hoje é coordenador. Ele conta que ele e mais 15 amigos, alguns com HIV e outros não, se juntaram para criar o grupo por sentirem carência de instituições, no interior da Paraíba, que auxiliassem os diagnosticados. O Cordel Vida atende, anualmente, cerca de 500 pessoas diretamente, oferecendo assessoria jurídica, orientação psicossocial e terapias comunitárias. Valdomiro conta que teve o diagnóstico do HIV em 1998 e considera que, de lá para cá, muito se evoluiu no combate à doença.
“O nível do preconceito eu acho que era muito maior. Inclusive dos profissionais de saúde para solicitar testagem. Hoje, não. Hoje se faz testagem em basicamente todas as unidades básicas de saúde. Se fazem testes em uma série de Ong’s, inclusive o Cordel Vida faz teste por fluído oral, com resultado em 15 minutos. Naquela época a gente fazia um teste e levava trinta dias para sair o resultado. Então eu acho que houve muitos avanços no ponto de vista do diagnóstico. No ponto de vista da assistência também houve grandes avanços por causa da disponibilização de uma gama muito maior de antirretrovirais.”
Valdomiro explica que teve o diagnóstico em 1998, quando já estava com aids, mas que havia sido internado algumas vezes desde 1996. Nesse período, ele teve várias doenças oportunistas. Quando foi fazer a checagem, seu nível de CD4, que é a célula de defesa do organismo, era de apenas 46. Abaixo de 300, o número é preocupante. Para ele, o tratamento hoje está muito melhor, mas considera que ainda falta mais cuidado em relação à prevenção e à conscientização da juventude sobre os riscos da doença. Informe-se. Faça checagens de seis em seis meses. Use camisinha e conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS. Proteja-se. Trinta anos da luta mundial contra a aids. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br.