
Por Camila Costa
O primeiro curso de técnico têxtil na região Norte do país será no Pará. As aulas começaram no último dia 14 e cerca de 50 alunos estão matriculados. Em parceria com o governo do estado e com a Companhia Têxtil de Castanhal, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) coloca no mercado um curso mais inovador e com avanços tecnológicos rumo à indústria 4.0.
São novos tecidos repelentes à líquido, materiais com proteção solar, ou seja, uma revolução na produção, com novos itens de base que têm adicionado componentes tecnológicos aos produtos. O curso tem ainda outro diferencial: é 80% na modalidade à distância e 20% na modalidade presencial. Terá carga horária total de 1.340 horas – 1.072 horas no Ambiente Virtual de Aprendizagem (80%) e 268 horas de atividades presenciais (20%) - e duração de 23 meses.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), só em 2017 foram criados 3,5 mil novos postos de emprego no setor têxtil. Para 2018, espera-se que o número seja de 20 mil. Caso a projeção se confirme, 1,5 milhão de trabalhadores estarão no setor. Calcula-se que hoje há cerca de 1 milhão e meio de trabalhadores no segmento.
Um dos diferenciais do curso é que as aulas práticas serão dentro das indústrias. Os alunos poderão experimentar as atividades e por em andamento as inovações previstas na indústria 4.0. Para a coordenadora da área de Vestuário e Moda do SENAI Pará, Lilian Tatiana Pereira da Costa, é uma maneira de colocar os alunos dentro do universo das novas tecnologias.
“Dentro da Internet das Coisas, o aluno tem que estar muito conectado e muito atualizado com essa linguagem, porque é uma necessidade do mercado, para que esse aluno se envolva nesse contexto, para que na medida que as empresas vão tendo essa modernização, os alunos consigam estar acompanhando tecnicamente essa linguagem e desenvolvendo os papéis dentro da própria indústria”, observa a coordenadora.
Revolução industrial
A Indústria 4.0 resulta da incorporação, em larga escala, de tecnologias digitais à produção industrial. Ela vem transformando a forma como se produz, com novos processos, produtos e modelos de negócios que há pouco tempo não era cogitado. Além disso, promete tornar os modelos convencionais de produção gradualmente ineficientes, o que força o setor produtivo a incorporar as novas tecnologias o quanto antes, como mostra o estudo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o “Propostas para as eleições 2018 - Indústria 4.0 e Digitalização da Economia”.
De acordo com o material enviado aos candidatos à presidência da República – como forma de estimular o debate nos próximos quatro anos –, as principais nações industrializadas têm inserido a Indústria 4.0 no centro de suas estratégias de política industrial para preservar e aumentar a competitividade dentro do setor produtivo.
Especialistas garantem que os impactos irão muito além de ganhos de produtividade no chão de fábrica. Leia mais sobre o assunto aqui.
A qualificação profissional é um dos pontos-chave da indústria 4.0. Quem está entrando no mercado de trabalho terá que se adequar a esta nova realidade tecnológica e, quem já está trabalhando, precisará se requalificar. Segundo o gerente-executivo de Política Industrial da CNI, João Emílio Gonçalves, há medidas para serem tomadas desde o campo regulatório e do financiamento, até o de apoio às empresas para o desenvolvimento de ações pontuais que suportem todas essas mudanças.
“A gente tem desafio na gestão desde a forma como a empresa prepara fazer essa transformação industrial. A gente tem cada vez mais uma integração entre a área de TI das empresas e a área industrial. Isso que antigamente era um pouco mais separado, você tinha ali a área industrial e a áreas de TI como espécies de suporte, hoje em dia está muito fundido. Então, isso, obviamente, coloca um desafio para as empresas da forma de se organizar”, alerta o gerente.
